Pode o vinho tinto ajudar a baixar a pressão arterial? A resposta é dada em forma de estudo, realizado por investigadores do Centro de Excelência da Fundação Britânica King, publicado na revista Circulation.

Por tratar, a pressão arterial elevada pode aumentar significativamente o risco de doenças cardíacas e circulatórias, incluindo AVC e enfarte. Foi esse o motivo que levou os especialistas a olhar para o vinho, onde identificaram uma molécula capaz de baixar a pressão, abrindo portas a novas formas de luta contra as doenças cardíacas e circulatórias.

A molécula, conhecida como resveratrol, é um composto produzido pelas peles de certas frutas para se defenderem contra insetos, bactérias e fungos e é mais conhecida pela sua presença nas uvas e no vinho tinto.

Neste estudo, os investigadores deram uma dose de resveratrol a ratinhos de laboratório com pressão alta induzida, fazendo com que os seus vasos sanguíneos relaxassem e a pressão sanguínea descesse. Um efeito que os especialistas conseguiram também demonstrar que funciona nas células dos vasos sanguíneos humanos.

Do vinho tinto a uma nova geração de medicamentos 

Os investigadores garantem que, atualmente, não há nenhuma medicação destinada a baixar a pressão arterial que tem como alvo este caminho, pelo que as descobertas podem levar ao desenvolvimento de nova medicação.

O líder do estudo, Joseph Burgoyne, não tem dúvidas que, aos poucos, está a perceber-se que “os oxidantes nem sempre são os vilões. A nossa investigação mostra que uma molécula antes considerada um antioxidante exerce os seus efeitos benéficos através da oxidação. E pensamos que muitos outros chamados antioxidantes podem também funcionar dessa maneira”.

“O nosso trabalho pode estabelecer as bases para alterar quimicamente o resveratrol, de forma a melhorar o seu transporte no organismo ou projetar novos medicamentos mais fortes, que usem o mesmo caminho. No futuro, podemos mesmo ter toda uma nova classe de medicamentos para a pressão arterial.”

“Infelizmente, para obter a dose equivalente humana de resveratrol usada aqui, é preciso beber uma quantidade impossível de vinho tinto todos os dias – o que é inviável e desaconselhável”, acrescenta Metin Avkiran, diretor médico associado da Fundação Britânica do Coração.

“O valor real deste estudo é revelar a maneira surpreendente como o resveratrol exerce os seus efeitos e, com ele, a possibilidade de ter novos medicamentos para a pressão arterial que funcionam de forma semelhante. As descobertas colocam-nos um passo mais perto de atacar esse ‘assassino silencioso’, que coloca as pessoas em risco de ter um AVC ou enfarte devastador.”