A carga global da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), um grupo de doenças pulmonares comuns que afeta mais de 300 milhões de pessoas, pode ser significativamente reduzida com uma simples avaliação de saúde, conclui um estudo internacional.

A DPOC é a terceira principal causa de morbilidade no mundo, com mais de três milhões de mortes por ano. A maior carga incide sobre os países de rendimentos baixos e médios, que respondem por cerca de 90% das mortes relacionadas com a DPOC, que globalmente tem também sido um importante fator de risco associado aos resultados da Covid-19.

Nos países mais ricos, a DPOC é normalmente causada pelo tabagismo e é diagnosticada através de um exame, a espirometria, um dispositivo que mede a quantidade de ar que uma pessoa pode expirar numa respiração forçada. O diagnóstico é simples e os sintomas podem ser efetivamente tratados.

No entanto, nos países mais pobres, a causa primária da DPOC é mais variada e inclui a poluição do ar doméstico, sendo o diagnóstico dificultado, uma vez que a espirometria – o “padrão-ouro” para o diagnóstico da DPOC – não está, muitas vezes, disponível. Há uma escassez de médicos necessários para realizar e interpretar os testes, pelo que implementá-los é caro. Resultado: a DPOC fica por diagnosticar.

Neste novo estudo, publicado na revista científica JAMA, os investigadores descobriram que as pessoas com risco alto de DPOC podem ser identificadas em sete a oito minutos usando um questionário próprio ou um questionário combinado com uma avaliação de Peak Expiratory Flow (PEF), um dispositivo de baixo custo que testa o quão rápido uma pessoa pode expirar.

John Hurst, investigador principal do estudo, refere que “a DPOC é um dos principais problemas de saúde pública do mundo, causando danos individuais e económicos: há uma necessidade clara e urgente de encontrar melhores formas de identificar as pessoas e mais cedo”.

Ajudar a respirar melhor com DPOC

Para o estudo, os especialistas avaliaram três ferramentas de rastreio da DPOC em populações em três ambientes distintos: Bhaktapur, uma região semiurbana do Nepal; Lima, zona urbana do Peru e Nakaseke, zona rural do Uganda.

Duas das ferramentas de rastreio eram compostas por um questionário e pelo Peak Expiratory Flow (PFE). A outra ferramenta envolveu apenas um questionário. Todas foram testadas em todas as três configurações. Para estabelecer a precisão diagnóstica das ferramentas, todos os 10.709 homens e mulheres adultos com 40 anos recrutados foram ainda submetidos a um teste de espirometria.

A prevalência de DPOC variou por local, de 3% em Lima (Peru) a 7% em Nakaseke (Uganda) e 18% em Bhaktapur (Nepal).

Ao todo, 49% dos casos de DPOC foram clinicamente significativos, conforme definido pelos sintomas e/ou carga de exacerbação, e 16% eram graves ou muito graves, o que foi medido na espirometria, com 95% dos casos sem diagnóstico prévio.

Quanto aos instrumentos de rastreio, tiveram um desempenho semelhante em cada cenário populacional. “As nossas descobertas apoiam a precisão e a viabilidade do uso de ferramentas simples de rastreio para identificar pessoas afetadas pela DPOC que vivem em diversos ambientes de rendimentos mais baixos”, refere Hurst.

“É alarmante a alta percentagem de casos de DPOC identificados na rastreio que eram clinicamente importantes, tenham alterações graves ou muito graves na função pulmonar e grave também que que a maioria desconhecesse o seu diagnóstico, apesar da elevada prevalência dos sintomas e menor qualidade de vida.”

O especialista acrescenta ainda que “é necessária ação: a comunidade global de saúde negligenciou o fardo das doenças respiratórias crónicas por muito tempo. É agora hora de as pessoas com doenças respiratórias crónicas, como a DPOC, serem prontamente identificadas, informadas sobre a sua condição e tratadas – onde quer que vivam no mundo”.