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Mundo pode estar perante uma segunda pandemia, agora de doença mental

pandemia de doença mental

Apesar de, remotamente, serem várias as opções de apoio psicológico na luta para gerir o medo e o stress associado à COVID-19, os especialistas alertam: podemos estar a braços com uma pandemia de doença mental.

São a história e as experiências passadas que os fazem temer o pior, com exemplos oriundos de regiões como África, onde as pandemias não são novidade, e onde são muitas as questões psicológicas que por norma resultam de surtos. 

Existem paralelos entre o impacto da COVID-19 na saúde mental e o que foi observado durante os surtos de Ébola, em África, confirma Yuval Neria, professor de psicologia médica na Universidade de Columbia, EUA.

A sua investigação analisou o surto de Ébola de 2014 a 2016, na África Ocidental, que foi o maior, mais longo e mais mortífero desde que a doença foi descoberta. E concluiu que “quase 50% das famílias, dos sobreviventes e daqueles que tiveram contacto com os sobreviventes de Ébola apresentaram stress pós-traumático e depressão”.

Mais deprimidos e ansiosos

Um trabalho feito recentemente no Uruguai verificou que, agora, as pessoas se sentem três vezes mais tristes, quase quatro vezes mais preocupadas e 20% mais solitárias do que no mesmo período do ano passado.

A percentagem de pessoas que disseram estar stressadas passou de 26 para 46%, com uma queda correspondente no sentimento de tranquilidade.

Têm, por isso, sido desenvolvidas estratégias, um pouco por todo o mundo, para ajudar a lidar com a COVID-19 do ponto de vista psicológico. A Associação Psicanalítica Argentina, por exemplo, criou uma linha de apoio gratuita; na Costa Rica, foi criado um plano piloto para visitas virtuais de familiares a pessoas hospitalizadas, através de tablets e telefonemas, para melhorar humor e saúde.

Por cá, são várias as formas de apoio a quem mais precisa, organizadas por hospitais, associações, autarquias e universidades, com linhas telefónicas ou plataformas de apoio psicológico e psiquiátrico.

O risco da doença mental

“Pandemias como esta não são apenas fenómenos médicos; elas afetam também a qualidade de vida de todos, causando disfunção social”, confirma Debanjan Banerjee, psiquiatra do Instituto Nacional de Saúde Mental e Neurociências da Índia, numa carta publicada no Asian Journal of Psychiatry.

Bettina Tassino, bióloga da Universidade da República do Uruguai, diz, em declarações ao SciDev, que “estar em ambientes fechados leva-nos ter menor exposição à luz natural durante o dia e isso tem consequências para a secreção de melatonina [a hormona que ajuda a regular o ciclo do sono] à noite”.

É, por isso, mais ou menos unânime, pelo menos do lado dos especialistas em saúde mental, que o mundo está a enfrentar uma situação psicológica grave, que se pode transformar numa segunda pandemia, esta de problemas de saúde mental.

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