
Num projeto de grande escala da União Europeia, do qual faz parte o MedUni Vienna, foi desenvolvido um novo scanner ocular, uma tecnologia com a qual é agora possível adicionar informações moleculares à visualização da estrutura interna do olho, esperando-se que isso permita a deteção precoce de doenças neurodegenerativas, assim como doenças oculares e diabetes.
O aparelho, desenvolvido no âmbito do projeto MOON, não apenas fornece uma imagem de alta resolução, mas também a caracterização molecular sensível do tecido, permitindo a deteção precoce de doenças, o que significa uma melhor probabilidade de prevenir a sua progressão
Isto porque as alterações bioquímicas devido a processos associados a doenças ocorrem muito antes de haver um dano real nos tecidos, o que pode levar à perda irreversível da visão, sobretudo na retina. Quanto mais cedo essas alterações forem detetadas, melhor para o doente, pois a maioria dos tratamentos não pode reverter um dano existente, mas visa interromper a progressão.
Deteção precoce não apenas de doenças oculares, mas também de doenças neurodegenerativas do cérebro. De facto, um estudo que está a ser realizado no Departamento de Oftalmologia e Optometria da Universidade Médica de Viena mostra a relevância desta nova tecnologia para melhorar o diagnóstico ocular e o planeamento do tratamento em pessoas com diabetes, bem como para outras doenças do fundo ocular.
Ensaios clínicos que estão a decorrer com parceiros de oftalmologia, neurologia, medicina nuclear e farmacologia clínica naquela universidade estão a investigar não apenas doenças oculares, mas também doenças neurodegenerativas. Isto com base na hipótese, confirmada por numerosos estudos, de que as doenças neurodegenerativas do cérebro também levam a alterações no tecido nervoso sensível da retina, o que significa que o olho pode servir como uma janela para o cérebro.
A doença de Alzheimer, por exemplo, está a ser estudada como um importante exemplo deste tipo de doenças neurais. Mas há outros estudos que se encontram em fase de planeamento, que visam explorar a validade deste tipo de exame no diagnóstico de diabetes e doenças neurodegenerativas que não sejam a doença de Alzheimer, como a esclerose múltipla ou a doença de Parkinson.