Quer seguir uma alimentação à base de vegetais? Então saiba que a substituição parcial de proteína de origem animal por fontes de proteína vegetal pode alterar o metabolismo ósseo, caso a ingestão adequada de cálcio e vitamina D não seja garantida.

Esta foi a conclusão do mais recente estudo da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, no qual 136 adultos aderiram, durante 12 semanas, a um dos seguintes regimes alimentares: uma dieta tipicamente finlandesa, composta por cerca de 70% de proteína de origem animal e na qual a maior parte dos produtos vegetais é proveniente de cereais; uma dieta composta por 50% de proteína de origem vegetal e a outra metade de produtos animais; e, por fim, uma dieta composta por 30% de proteína de origem animal e 70% de proteína de base vegetal.

Assim, as fontes de proteína animal, como as carnes vermelhas e os lacticínios, foram parcialmente substituídas por produtos de fonte vegetal, sendo adicionada às dietas uma grande variedade de legumes, nozes, sementes e cereais.

Além disso, os lacticínios enriquecidos com vitamina D foram também substituídos por bebidas vegetais sem quaisquer suplementos e, nas dietas em que a proteína vegetal era predominante, a quantidade de queijo permitida também foi reduzida. 

Apesar de todas as dietas conterem a mesma quantidade de peixes e ovos, verificou-se que a reabsorção e a formação do tecido ósseo aumentou quando a proteína animal passou a ser substituída por produtos de origem vegetal. Segundo os investigadores, tal fenómeno pode ser prejudicial para a saúde óssea a longo prazo, visto que pode conduzir a um risco maior de fraturas ósseas.

Além disso, os investigadores finlandeses também sugerem que as alterações no metabolismo ósseo são justificadas, em grande parte, pela baixa quantidade de lacticínios consumidos, bem como pela baixa quantidade de cálcio e vitamina D ingerida. Importa referir que, no decorrer do estudo, os indivíduos não foram autorizados a usar suplementos vitamínicos ou minerais.

Porém, seguir uma alimentação de base vegetal não tem de ter necessariamente um impacto negativo na saúde dos seus ossos. De acordo com Suvi Itkonen, professor na Faculdade de Agricultura e Silvicultura, os resultados do estudo poderiam ter sido outros caso “os lacticínios tivessem sido substituídos por bebidas de base vegetal enriquecidas com vitamina D e cálcio”. 

Vegetais sim, mas não só

São cada vez mais as pessoas que, hoje em dia, optam por seguir dietas de base vegetal. Assim, no que respeita à saúde óssea, torna-se importante garantir o consumo adequado de cálcio e vitamina D. No caso da vitamina D, a ingestão recomendada para adultos é de 0.1 miligramas por dia, sendo este um valor que já inclui o consumo de suplementos alimentares.

Desta forma, Suvi Itkonen sublinha que, “ao consumir bebidas vegetais, é essencial escolher a opção enriquecida com cálcio e vitamina D”. Além disso, alerta também que caso a dieta não contenha “margarinas, lacticínios ou bebidas vegetais enriquecidas” e o peixe não for consumido mais do que três vezes por semana, “é importante garantir a ingestão adequada de vitamina D, especialmente nas estações mais frias e escuras, através de suplementação diária”.