O serviço de oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN) foi o primeiro a realizar em Portugal uma operação inovadora para tratar o glaucoma. Realizada pela primeira vez em julho, a intervenção já foi, até hoje, realizada em 20 doentes.

Em comunicado, o hospital refere que a cirurgia consiste na colocação de um dispositivo que funciona como um dreno para retirar líquido do interior do olho. Uma intervenção menos invasiva e mais rápida, com pós-operatórios mais curtos e menos dolorosos e melhor gestão de tempos de espera.

De acordo com Luís Abegão Pinto, oftalmologista do CHULN responsável pela introdução da técnica no nosso país, são 10 a 15 minutos de intervenção, quando as cirurgias anteriores implicavam pelo menos uma hora de ocupação de sala.

O que contribui não apenas para melhorar a lista de espera, mas também para abordar outros casos menos graves que, de outra forma, poderiam passar despercebidos, “isto porque não estamos apenas a ‘apagar’ fogos”, refere o médico.

“A cirurgia do glaucoma ‘clássica’ demora uma hora no bloco e tipicamente implica cinco consultas de seguimento nas primeiras seis semanas, portanto se operássemos vinte doentes num mês isso implicava logo a realização de cem consultas adicionais”, acrescenta.

“Esta técnica traz grandes vantagens nesta área, passamos para um modelo de cirurgias minimamente invasivas, que como têm muito menos riscos podem ser oferecidas a doentes muito mais abaixo na pirâmide da gravidade, com o olho em estádios menos graves da doença.”

Tratar mais rapidamente o glaucoma

O dispositivo conhecido por InnFocus fica implantado dentro do olho. A imagem é a de uma espécie de aspirador, com oito milímetros de tamanho, que fica implantado dentro olho, debaixo da pálpebra, funcionando como um tubo por onde o líquido sai e que diminui a pressão intraocular.

“Vemos o doente no dia seguinte e três semanas depois; não há pontos para tirar. Estamos a fazer a passagem para cirurgias mais rápidas, mais seguras, com a vantagem para o doente de ser visto duas vezes e não cinco. Se pensarmos que o Hospital de Santa Maria acompanha doentes do Minho ao Algarve, são muito menos deslocações, muito menos ambulâncias, num procedimento que é protocolado, que tem regras pré-determinadas”, refere.

Um procedimento que tem também impacto na lista de espera para consulta nesta área, que neste momento ronda uma semana para os doentes candidatos a esta técnica (que incide nos casos moderados da doença).

Se anteriormente o serviço tinha 80 consultas reservadas para o seguimento dos doentes operados e se agora consegue reduzir as consultas de acompanhamento pós-operatório para metade, pode deixar entrar mais doentes novos.

“Uma das mensagens é que estamos a ficar dotados de uma capacidade de resposta maior e com mais capacidade tecnológica. Os casos moderados, que antigamente dificilmente conseguiriam chegar à fase cirúrgica, têm agora uma resolução perfeitamente atempada. A nossa lista de espera de doentes candidatos a esta cirurgia anda na ordem das semanas, e não anos”, reforça o especialista.

Cerca de meio milhão com a doença

Em Portugal, há cerca de 220 a 250 mil pessoas que sabem que têm glaucoma. Mas as estatísticas internacionais mostram que metade das pessoas não sabe que tem glaucoma, portanto podemos estar a falar de 450 mil a 500 mil pessoas que podem ter a doença no nosso país.