Em 2018, realizaram-se em Portugal 14.928 interrupções de gravidez, 10.650 das quais em serviços públicos e 4.278 em serviços privados, revelam os dados oficiais. Em 2015, 2016 e 2017, o número de interrupções tinha sido, respetivamente, 16.652, 15.959 e 15.518, confirmando 2018 a tendência decrescente que se tem observado desde 2011. 

Globalmente, 45,4% das mulheres recorreram por iniciativa própria aos serviços de atendimento hospitalar, sendo as idades mais representadas os grupos dos 25-29 anos (22,6%) e 20-24 anos (22,4%).

Contas feitas, e de acordo com o relatório, a mulher que engravidou entre os 30 e os 34 anos foi a que apresentou maior probabilidade (90,8%) de prosseguir com a gravidez.

À semelhança de anos anteriores, as interrupções da gravidez por opção da mulher nas primeiras 10 semanas são o principal motivo de aborto em todas as idades (95,8%), um valor próximo dos 96% estimados em 2017, sendo o segundo motivo mais representado a doença grave ou malformação congénita (3,5%). 

Maioria das interrupções da gravidez na região de Lisboa

A região de Lisboa e Vale do Tejo registou 58,8% de todos os abortos, seguindo-se a região norte (19,9%) e Centro (11,1%).

Ao todo, em 20,8% dos casos, a mulher tinha nacionalidade estrangeira, mais 2,5 pontos percentuais do que em 2017.

No que diz respeito ao método mais escolhido para a interrupção da gravidez, o medicamentoso (67,6%) foi o prevalecente, comparativamente com o cirúrgica (28,1%), ainda que este segundo tivesse sido o método que mais predominou (93,3%) nas instituições privadas.

Em 56,7% dos casos, a mulher tinha pelo menos um filho e em 69,8% estavam a realizar a primeira interrupção da gravidez. Nas situações em que tinham realizado aborto anterior, o tempo médio decorrido desde a última tinha sido de 4,75 anos.

Dados de 2018 confirmam tendência de descida

A maioria das mulheres (92,6%) tinha escolhido um método de contraceção sendo, em 39,3% dos casos, métodos de longa duração e em 37,7% método hormonal oral ou injetável, este último o método de eleição em 48,5% das mulheres entre os 15-19 anos, decrescendo de importância com o aumento da idade da mulher (apenas 29,1% em idades igual ou superior a 40 anos).

Em 2018, o número de interrupções da gravidez diminuiu, confirmando-se um decréscimo consistente desde 2011. A média nacional continua a manter-se abaixo da média europeia no que respeita ao indicador “número de interrupções da gravidez por 1.000 nados-vivos”.