
Todos os dias nascem, em média, 17 prematuros em Portugal. Ouvir uma gravação da voz da mãe pode ajudar estes bebés a manter o sono enquanto estão internados nas unidades de neonatologia, garante um novo estudo.
Há bebés que passam muitas semanas internados. Bebés com pressa de chegar ao mundo, que trocam a barriga da mãe pela incubadora numa unidade de neonatologia, espaços onde o barulho é uma constante.
Os muitos aparelhos que por ali garantem a saúde e desenvolvimento dos bebés, assim como os profissionais que deles cuidam, contribuem para este barulho, que pode influenciar o desenvolvimento dos padrões de sono dos recém-nascidos. Como é que a voz da mãe pode mudar esta situação?
Foi isso que quis avaliar um estudo, que confirma que, nestas unidades, houve menor probabilidade de estes recém-nascidos acordarem na sequência dos ruídos quando estava a tocar uma gravação da voz das suas mães.
“O ruído ambiental pode ser notavelmente alto nas unidades de cuidados de neonatologia e pode influenciar os padrões de sono neonatal”, explica Renée Shellhaas, investigadora principal e professora de pediatria na Universidade do Michigan, nos EUA.
“A exposição à gravação de voz de uma mãe pode isolar os doentes nestas unidades de parte do impacto do ruído inevitável, reduzindo a probabilidade de vigília durante os níveis mais altos de ruído.”
O impacto no sono dos bebés
O estudo observou 20 recém-nascidos com mais de 35 semanas de gestação e 27 prematuros nascidos entre as 33ª e 34ª semanas. As suas mães foram gravadas a ler livros infantis e o sono dos bebés avaliado ao longo de 12 horas, gravações com um impacto comprovado no sono dos bebés.
“Os resultados do nosso estudo sugerem que uma intervenção tão simples como reproduzir uma gravação da mãe a ler histórias pode proporcionar um melhor sono”, refere Shellhaas. “No entanto, o impacto de tais intervenções parece ser menos significativo para os bebés mais prematuros.”