O tratamento da psoríase concentra-se, por norma, no tratamento da pele. No entanto, quem vive com esta doença corre risco de sofrer de depressão, ansiedade e suicídio, associado a problemas psicossomáticos. Um novo estudo da Universidade de Umeå, na Suécia, mostra que estes problemas têm ainda mais impacto na saúde mental dos doentes do que os seus sintomas de pele, destacando a importância de um novo tipo de cuidados.

A psoríase é uma doença crónica. Uma doença em que o corpo produz células da pele muito rapidamente, que se acumulam na superfície da mesma sob forma de escamas vermelhas, dolorosas, que causam comichão e inflamação.

“O que não sabíamos antes é como os sintomas cutâneos da psoríase e de outras doenças psicossomáticas associadas à psoríase afetam a saúde mental”, afirma Marcus Schmitt-Egenolf, dermatologista e professor da Universidade de Umeå.

Estudos anteriores descobriram que pessoas com psoríase sofrem mais frequentemente de doenças somáticas e mentais em comparação com indivíduos sem psoríase.

O novo estudo confirmo-o, mas vai mais longe, ao investigar como os sintomas cutâneos da psoríase e as doenças psicossomáticas associadas afetam a saúde mental, nomeadamente a ansiedade, depressão e suicídio.

Os especialistas verificaram que os sintomas da pele têm um impacto importante na saúde mental, mas que outras doenças somáticas associadas à psoríase podem causar ainda mais danos à saúde mental.

“Descobrimos que os sintomas da pele aumentaram o risco de doença mental em um terço, enquanto outras doenças físicas dobraram o risco entre os doentes com psoríase”, refere Kirk Geale, investigador na Universidade de Umeå.

Os resultados do estudo mostram um aumento de 32% no risco de doenças mentais causadas por sintomas de pele e um aumento de 109% associado a outras doenças somáticas.

Esta informação é importante, uma vez que a carga total de saúde mental das pessoas com esta doença de pele e o que contribui para esta ainda não foi bem estabelecida.

Nova forma de tratar a psoríase

As descobertas deste estudo incentivam as pessoas com psoríase a conversar com os seus médicos sobre os sintomas além da pele, não só físicos, mas também mentais, incentivando ainda os médicos a discutir proativamente essas questões com os seus doentes.

“Eu ficaria encantado se o nosso estudo pudesse levar a uma visão mais holística sobre os cuidados com esta doença.”