
A síndrome dos ovários poliquísticos é o distúrbio endócrino mais comum nas mulheres em idade reprodutiva, com uma prevalência que pode ir dos 5% aos 18%. E se, antes, costumava ser considerada um problema puramente reprodutivo, hoje já se percebeu que as mulheres que sofrem com esta síndrome têm um risco elevado de outros problemas, confirma um estudo publicado na Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica.
Não são só os aspetos reprodutivos que importa ter em conta, mas as mulheres com síndrome dos ovários poliquísticos têm ainda uma maior probabilidade de serem também diagnosticadas com enxaquecas, hipertensão, tendinite, osteoartrite e endometriose. A isto junta-se o facto de tomarem medicamentos com mais frequência e relatarem que a sua própria saúde é pior do que as mulheres sem este problema.
O estudo agora desenvolvido, que confirma esta conclusão, incluiu 246 mulheres com sintomas ou diagnósticos de síndrome dos ovários poliquísticos e 1.573 controlos que foram avaliados até aos 46 anos.
Apesar da síndrome dos ovários poliquísticos ser uma condição comum e de alto risco de morbilidade, permanece muitas vezes subdiagnosticada e, logo, sub-representada nos prontuários e registos nacionais, o que limita a identificação de comorbilidades.
“É frequentemente rotulada como uma preocupação reprodutiva; no entanto, na maioria dos casos, o problema a este nível é bem gerido através de tratamentos de fertilidade. O nosso estudo realça a necessidade de os profissionais de saúde reconhecerem o risco de várias comorbilidades e o aumento da carga de saúde associado a esta síndrome comum”, refere o autor sénior do estudo, Terhi T. Piltonen, especialista da Universidade de Oulu, na Finlândia.
“As mulheres devem também estar cientes deste risco e devem ser apoiadas através de diagnóstico e tratamento precoces.”