redes sociais e depressão nos adolescentes

Uso das redes sociais associado à depressão na adolescência

Por Saúde Mental

Não é o primeiro e muito certamente não será o último estudo feito para compreender como as redes sociais podem influenciar a vida humana. Este último, realizado por especialistas da Universidade de Montreal, no Canadá, quis perceber de que forma o mundo digital pode afetar a saúde mental dos adolescentes. E conclui que o impacto é, tal como se esperava, grande e nem sempre positivo.

Ao longo de quatro anos, os investigadores observaram 3,826 adolescentes, quase metade (47%) do sexo feminino, alunos do 7.º ano de escolaridade de 31 escolas da região de Montreal. Numa primeira fase, foram monitorizados os consumos de produtos digitais e as reações a estes associadas, tendo como referência os sentimentos relacionados com a depressão, como solidão ou tristeza. 

O que permitiu concluir que, de todos os meios digitais ao dispor dos adolescentes, as redes sociais são a atividade mais nociva, seguida da televisão. A esta junta-se outra conclusão: quanto mais tempo passam a realizar estas duas atividades, mais deprimidos se sentem, ainda que o tempo passado a jogar online não tenha apresentado qualquer associação à depressão.

Teorias explicam relações nas redes sociais

O que justifica este resultado foi o que os investigadores procuraram saber em seguida, tendo, para isso, formulado três hipóteses.

À primeira deram o nome de comparação social ascendente, que consiste na ideia de que as redes sociais são prejudiciais para a autoestima, uma vez que ‘bombardeiam’ os utilizadores com a vida perfeita que os outros aparentam ter. E eles não têm.

A segunda hipótese, a da espiral reforçada, defende que os utilizadores apenas procuram informação consistente com as suas próprias visões e opiniões.

A terceira, do sentimento de deslocação, confirma a ideia de que o tempo passado em frente a um ecrã pode afetar a saúde mental, o que acontece porque o tempo aqui gasto não permite a realização de outras atividades consideradas mais saudáveis, como desporto ou convívio com os amigos. 

Das três hipóteses apresentadas, os investigadores defendem que a do sentimento de deslocação tem pouco impacto, o que não acontece com as outras duas. No caso da hipótese da comparação social ascendente, os adolescentes acabam por se comparar com as pessoas que seguem nas redes sociais e na televisão e, como aparentemente estes estão numa situação superior à sua (seja física, social ou financeira), acabam por sentir-se incapazes de alcançar tais objetivos, o que motiva a depressão.

Já em relação à teoria da espiral reforçada, o ser humano tem tendência a selecionar e a consumir conteúdos relacionados com o seu estado mental. Comportamento que é exacerbado pelas redes sociais, uma vez que, aqui, os algoritmos têm como função apresentar conteúdos semelhantes àqueles com os quais interagimos, acabando por perpetuar o seu consumo. 

os riscos de saltar o pequeno-almoço

Risco de obesidade é maior para adolescentes que saltam o pequeno-almoço

Por Nutrição & Fitness

É um hábito comum entre os adolescentes, mas com consequências: está diretamente associado ao aumento da circunferência da cintura e do índice de massa corporal nesta faixa etária. Começar o dia sem o pequeno-almoço pode levar a uma dieta desequilibrada e outros comportamentos inadequados, tornando os adolescentes vulneráveis ​​ao ganho de peso.

A prova está num artigo publicado na Scientific Reports, realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), no Brasil e colegas de instituições europeias, que avaliaram comportamentos que ditam o ganho de peso em adolescentes. 

“Descobrimos que saltar o pequeno-almoço está associado a marcadores de adiposidade em adolescentes, independentemente de onde moram e quanto dormem, ou se são do sexo masculino ou feminino”, diz a propósito a epidemiologista Elsie Forkert.

“Ao ignorar o pequeno-almoço, milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo estão provavelmente a substituir uma refeição caseira mais saudável, que inclui produtos lácteos, cereais integrais e frutas, por fast food consumida a a caminho da escola, ou na própria escola.”

De acordo com a investigadora, “isso normalmente significa consumir alimentos hipercalóricos industrializados de baixo valor nutricional, como salgados, fritos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas, diretamente associadas ao desenvolvimento da obesidade”.

Pequeno-almoço e obesidade, relação perigosa

Inserido na investigação de pós-doutoramento de Elsie Forkert, com a colaboração de investigadores da Áustria, Bélgica, Alemanha, Grécia, Itália e Espanha, o trabalho analisou os dados de duas grandes investigações realizadas na Europa e no Brasil e avaliou a associação entre comportamentos associados ao balanço de energia na adolescência e marcadores de adiposidade total e abdominal.

“Os comportamentos relacionados com o equilíbrio energético foram medidos através de um questionário que cobriu os níveis de atividade física na escola ou em casa, durante o lazer ou as deslocações, etc. Aproximadamente 60 minutos ou mais por dia de atividade física moderada a vigorosa foram considerados adequados”, refere Forkert.

Quanto aos comportamentos sedentários, estes foram analisados ​​em termos do tempo habitual de ecrã (televisão, computador, jogos de vídeo), tendo sido pedido aos participantes que especificassem quantas horas costumavam dormir nos dias úteis e aos finais de semana.

Um questionário separado foi aplicado para explorar atitudes e preocupações em relação a escolhas alimentares, preferências, hábitos alimentares saudáveis ​​e estilo de vida, que incluiu uma pergunta específica sobre o pequeno-almoço. Aqui, foi pedido que dessem a sua opinião (concordassem ou discordassem, numa escala de 1 a 7) em relação à declaração “Salto frequentemente o pequeno-almoço”.

Os cientistas usaram esses dados para investigar se os adolescentes que o faziam tinham em média mais marcadores de adiposidade do que os restantes.

“Entre todos os comportamentos relacionados com o balanço de energia analisados, a correlação mais forte foi entre saltar o pequeno-almoço e os níveis médios aumentados de marcadores de obesidade”, refere Forkert.

Risco semelhante para rapazes e raparigas

Os dados dos inquéritos europeus e brasileiros mostraram que os adolescentes do sexo masculino eram, em média, mais pesados ​​e mais altos e tinham circunferências de cintura maiores que os do sexo feminino.

“Para os rapazes que saltaram o pequeno-almoço, a circunferência da cintura foi, em média, 2,61 cm maior na Europa e 2,13 cm maior no Brasil do que nos que geralmente comiam”, refere Forkert. E maior foi também o índice de massa corporal médio.

“O mesmo aconteceu com as raparigas europeias. O pequeno-almoço estava relacionado positivamente com a obesidade total e abdominal, mesmo quando o tempo de sono era adequado.”

Em Portugal, a obesidade infantil continua a ser uma preocupação, apesar de, de acordo com os dados mais recentes, entre 2008 e 2019, a prevalência de excesso de peso infantil ter caído de 37,9% para 29,6% e a de obesidade de 15,3% para 12,0%, um valor que fez o país melhorar na tabela dos estados europeus que participam no ‘Childhood Obesity Surveillance Initiative’.

sintomas de depressão

Raparigas sofrem mais com depressão do que os rapazes

Por Bem-estar

A igualdade de género não é uma realidade quando em causa está a depressão, revela um novo estudo nacional, segundo o qual a prevalência de sintomas depressivos nas raparigas aos 13 anos é duas vezes mais alta do que nos rapazes da mesma idade.

O trabalho é o resultado da tese de doutoramento de Cláudia Bulhões, investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que contou com a participação de 2.492 pessoas da cidade do Porto, avaliadas aos 13, 17 e 21 anos. É nele que se confirma que as meninas sofrem mais do que os rapazes. 

Contas feitas, 18,8% das raparigas sofrem de sintomas depressivos aos 13 anos, um valor bem mais elevado que aqueles verificado entre os rapazes (7,6%).

E nem o envelhecimento aproxima os dois sexos. Pelo contrário: aos 17 anos, a prevalência de sintomas depressivos foi de 17,1% nas raparigas e 5,3% nos rapazes.

“Estes sintomas depressivos não acontecem de uma forma episódica, isto é, eles vão ter implicações ao longo da adolescência”, confirma a especialista, citada pelo site Notícias UP.

“Os adolescentes que tinham sintomas depressivos aos 13, a maioria apresentava também sintomas depressivos aos 17 e acabava por ter repercussões aos 21 anos.”

Um efeito que se prolonga

A avaliação feita pela especialista revela que aqueles que apresentaram, na adolescência, níveis mais elevados de sintomas depressivos, revelaram piores resultados sociais e de saúde no início da vida adulta.

Os sintomas depressivos afetaram sobretudo rapazes com história familiar de depressão e raparigas com hábitos tabágicos e cujo primeiro ciclo menstrual surgiu numa idade mais precoce.

Dados que revelam a importância do reconhecimento dos sinais e sintomas de depressão, sobretudo no início da adolescência.

“É importante criar uma ferramenta que nos auxilie na avaliação desta questão, de uma forma estruturada, ao nível das nossa consultas, identificando estes adolescentes numa fase inicial de desenvolvimento do quadro, para que, realmente, possamos desenvolver estratégias no tratamento ou orientação”, revela a investigadora.