mais procura de quimioterapia

Estudo prevê aumento de mais de 50% na necessidade de quimioterapia

Por Cancro

Até 2040, o número de pessoas que vai precisar de quimioterapia deve passar de 9,8 milhões para 15 milhões a nível global, uma subida de 53%. As contas são feitas num estudo publicado no The Lancet Oncology, que é o primeiro a estimar estas necessidades nacional, regional e globalmente, isto no caso da aplicação completa de diretrizes baseadas em evidências. 

As estimativas referem que dois terços (67%) destes doentes residem em países de rendimentos mais baixos ou médios. Isto porque se espera que o número de casos de cancro aumente sobretudo nestes países.

Sendo um componente crucial do tratamento, a quimioterapia irá provavelmente beneficiar uma grande percentagem destes casos.

Número de casos de cancro a aumentar

Para dar resposta ao aumento da procura, o estudo estima ainda o número de médicos necessários, no mesmo período, para fornecer quimioterapia a todos os doentes que dela necessitem, reforçando a necessidade de um aumento de aproximadamente 65.000 especialistas em 2018 para 100.000 em 2040.

“A crescente carga global de cancro é, sem dúvida, uma das principais crises de saúde de hoje. São urgentemente necessárias estratégias para equipar a força de trabalho, tornando possível o tratamento seguro dos doentes atuais e dos futuros”, afirma Brooke Wilson, da Universidade de New South Wales, primeira autora do estudo.

“Os países e as instituições devem usar os nossos dados para estimar as suas necessidades futuras de força de trabalho e de quimioterapia e planear estratégias nacionais, regionais e globais para garantir que todos aqueles que precisam vão ter acesso ao tratamento de quimioterapia.”

Os autores usaram as diretrizes de melhores práticas, características do doente e dados do estadio do cancro referentes aos EUA e Austrália para calcular a proporção de casos de cancro recém-diagnosticados que poderiam beneficiar da quimioterapia.

Taxas que forma depois aplicadas às estimativas internacionais de incidência global de cancro adulto e pediátrico entre 2018 e 2040 (GLOBOCAN), para estimar a procura global por quimioterapia.

Ou seja, estas estimativas pressupõem que a prestação de assistência oncológica, que se verifica nos países com mais rendimentos, vai ser uma meta alcançável para todos os países. 

Pulmão, mama e cólon a liderar

Globalmente, 58% dos novos casos de cancro exigiram quimioterapia em 2018. Em 2040, os autores do estudo prevêem que o número de novos casos da doença chegue aos 26 milhões, dos quais 53%, mais 5,2 milhões, venham a precisar de quimioterapia.

Destes, mais de um terço deverá viver no leste da Ásia (35%), 12% na região centro-sul da Ásia, 10% na América do Norte, 7% no sudeste asiático, 6% na América do Sul e 5% na Europa Ocidental.

Quanto aos tumores malignos mais comuns a precisarem desta forma de tratamento, os investigadores identificam o do pulmão (16,4%), da mama (12,7%) e colorretal (11,1%), com os maiores aumentos absolutos de novos casos a ocorrerem nestes mesmos três tipos de cancro.

investigação sobre cancro colorretal

Será o microbioma a chave para o combate ao cancro colorretal? A resposta em breve

Por Cancro

Todos os anos, de acordo com os dados disponíveis, mais de sete mil pessoas são, em Portugal, diagnosticadas com cancro colorretal, o segundo com mais incidência no País e o segundo também na lista dos mais mortíferos. É no seu combate que estão envolvidos investigadores internacionais, que acreditam que o microbioma de cada um, ou seja, o conjunto de bactérias, fungos e vírus que compõem o nosso organismo, pode ser a chave para o tratamento deste tipo de cancro.

Para aprofundarem os seus estudos, os cientistas da Universidade de Leeds receberam cerca de 2,8 milhões de euros para investigar como os muitos milhões de microrganismos que habitam no nosso corpo podem ser manipulados para tratar o cancro colorretal.

Com estes vão colaborar especialistas dos EUA, Canadá, Holanda e Espanha que, juntos, receberam 17 milhões de euros do Cancer Research UK, um dos maiores financiamentos já concedidos por aquela instituição, inserido num fundo criado para revolucionar a prevenção, diagnóstico e tratamento do cancro.

Microbioma saudável vs microbioma associado ao cancro

Existem muitos fatores associados ao estilo de vida, como a dieta e a obesidade, que influenciam o risco de sofrer da doença. Os investigadores descobriram que o impacto destes fatores no microbioma pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento do cancro colorretal.

Entender a diferença entre um microbioma saudável e um associado ao cancro e encontrar formas de manipular essa coleção de micro-organismos para melhor prevenir e tratar o cancro é um dos objetivos do trabalho que agora começa.

“O nosso objetivo é que este projeto de investigação possa ajudar a revolucionar a nossa compreensão do papel que o microbioma desempenha no desenvolvimento do cancro”, explica em comunicado Philip Quirke, professor de Patologia da Universidade de Leeds.

“Isso poderia ajudar a encontrar novas formas de prevenir a doença e também novos tratamentos para os doentes no futuro.”