cigarros eletrónicos banidos em São Francisco

Há uma cidade nos EUA que proibiu a venda de cigarros eletrónicos

Por Bem-estar

São Francisco, nos EUA, tornou-se a primeira grande cidade norte-americana a banir a venda e fabrico de cigarros eletrónicos, perante o aumento da preocupação em relação aos efeitos secundários deste tipo de tabaco. Uma preocupação, de resto, partilhada também pelos especialistas nacionais que, em abril, se juntaram numa posição conjunta, em que se declaram “fortemente preocupados”.

Uma proibição necessária, segundo as autoridades daquela cidade, tendo em conta “as consequências significativas para a saúde pública” de um “aumento dramático” no uso de cigarros eletrónicos entre os adolescentes.

Receio tem vindo a crescer

Um pouco por todos os EUA e fora destes também, como é disso exemplo o caso português, as autoridades de saúde têm revelado apreensão com o aumento da popularidade dos cigarros eletrónicos, dispositivos que permitem que os utilizadores inalem líquidos de nicotina geralmente com aromas.

As potenciais consequências para a saúde deste novo vício, incluindo o receio de que poderia prejudicar o desenvolvimento do adolescente, permanecem em grande parte desconhecidas, até por se tratar de uma prática recente.

Proteger os jovens dos cigarros eletrónicos

O equivalente ao presidente da autarquia local, London Breed, tem agora 10 dias para assinar a legislação, o que fará com que esta proibição deva entrar em vigor sete meses depois.

“Precisamos de tomar medidas para proteger a saúde da juventude de São Francisco e impedir que a próxima geração se torne viciada nestes produtos”, referiu o autarca em comunicado.

Por cá, os especialistas chamam a atenção para o facto deste tipo de tabaco permitir imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, podendo haver o risco de os fumadores alterarem o seu consumo para estes novos produtos em vez de tentarem parar de fumar.

A isto junta-se o facto de serem “uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos. Atualmente, a experimentação e uso de cigarros eletrónicos e outros produtos de tabaco pelos adolescentes e jovens está a sofrer um crescimento exponencial”.

riscos do tabaco aquecido

Tabaco aquecido apresenta graves riscos para a saúde, alertam especialistas portugueses

Por País

Os novos produtos de tabaco aquecido e as alegações que os têm acompanhado levaram 12 sociedades científicas e organizações de saúde portuguesas a unirem-se numa posição conjunta, em que se declaram “fortemente preocupadas”.

“Não devemos permitir que o debate em torno dos novos produtos do tabaco nos distraia do principal objetivo em questão – promover medidas regulatórias que sabemos serem eficazes na redução do tabagismo e continuar a apoiar aqueles que desejem parar de fumar”, referem, em comunicado.

“Em conclusão, as sociedades médicas e científicas aqui representadas não recomendam a utilização de produtos de tabaco aquecido.”

E alertam “para os seus riscos e mantêm a firme convicção de que a melhor forma de salvaguardar a saúde humana é a prevenção da iniciação de qualquer forma de consumo e o apoio médico para cessação tabágica”.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar/Grupo de Estudo de Doenças Respiratórias, Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo, Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular, Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, Sociedade Portuguesa de Medicina do Trabalho, Sociedade Portuguesa de Oncologia, Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e Sociedade Portuguesa de Pediatria são as entidades signatárias desta posição conjunta.

O que está em causa

Quando se referem a tabaco aquecido, estas organizações remetem para os dispositivos eletrónicos com um pequeno cigarro contendo tabaco, que produzem aerossóis com nicotina e outros químicos que são inalados pelo utilizador.

O que aqui motiva preocupação é o conteúdo de nicotina, substância altamente aditiva que existe no tabaco, causando dependência nos seus utilizadores, para além de estarem presentes outros produtos adicionados que não existem no tabaco e que são frequentemente aromatizados.

Para além disso, os especialistas referem que este tipo de tabaco permite imitar o comportamento dos fumadores de cigarro convencional, podendo haver o risco de os fumadores alterarem o seu consumo para estes novos produtos em vez de tentarem parar de fumar.

A isto junta-se o facto de serem “uma tentação para não fumadores e menores de idade iniciarem os seus hábitos tabágicos. Atualmente, a experimentação e uso de cigarros eletrónicos e outros produtos de tabaco pelos adolescentes e jovens está a sofrer um crescimento exponencial”.

Estudos que deixam a desejar

No que diz respeito à segurança e risco para a saúde, não existe evidência que demonstre que o tabaco aquecido é menos prejudicial do que o cigarro convencional.

Ainda que a indústria do tabaco afirme haver uma redução de 90 a 95% na quantidade de substâncias nocivas e na toxicidade dos cigarros aquecidos, “grande parte destas alegações baseia-se em estudos publicados pela própria indústria, com conflitos de interesse evidentes, havendo muitas evidências de que não se deve confiar neste tipo de estudos”.

risco dos cigarros eletrónicos

Cigarros eletrónicos aumentam risco de AVC e enfarte

Por Bem-estar

O uso de cigarros eletrónicos aumenta a probabilidade de AVC, enfarte e doença coronária. Uma garantia dada por um novo estudo.

Apresentado em Honolulu, no Havai, na conferência da American Stroke Conference 2019, uma reunião mundial para investigadores e médicos dedicados à ciência e tratamento de doença cerebrovasculares, trata-se do maior estudo até o momento sobre o uso deste tipo de cigarros e a associação aos acidentes vasculares cerebrais.

Os dados de 400.000 entrevistados permitiram concluir que, “em comparação com os não-utilizadores, aqueles que preferem os cigarros eletrónicos são mais jovens, têm um índice de massa corporal menor e uma menor taxa de diabetes”, explica Paul M. Ndunda, autor do trabalho e professor assistente na Faculdade de Medicina do Reino Unido. 

Risco de AVC aumenta 71%

Ao todo, cerca de 66.795 entrevistados relataram usar sempre cigarros eletrónicos. E, comparando com os que não os usam, estes apresentavam um risco 71% superior de acidente vascular cerebral.

Mas há mais. O risco aumentou também em 59% para o enfarte e em 40% para a doença coronária.

É por isso que a American Heart Association alerta para o uso deste tipo de cigarros, afirmando que os que contêm nicotina são produtos de tabaco que devem estar sujeitos a todas as leis que se aplicam a estes produtos.

A Associação pede também regulamentação mais forte para impedir o acesso, a venda e a comercialização de cigarros eletrónicos aos jovens e mais investigação sobre o seu impacto na saúde.

Falta evidência que confirma vantagens

Os cigarros eletrónicos são muitas vezes comercializados como uma forma de ajudar os que querem deixar de fumar. No entanto, a American Heart Association refere haver pouca evidência científica conclusiva desta realidade.

De resto, cita um estudo que relatou que os fumadores adultos que usaram os cigarros eletrónicos tiveram 28% menos probabilidade de parar com sucesso.