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Menos de metade dos consumidores europeus mostra confiança total nos alimentos

confiança nos alimentos na Europa

A confiança no sistema alimentar europeu mostra sinais de recuperação, mas continua frágil. Menos de metade dos europeus (36%) afirma confiar nos alimentos que consome, o que evidencia um fosso persistente entre a crescente confiança nos intervenientes do sistema alimentar e a perceção dos próprios alimentos, revela os dados do relatório “O Estado da Confiança no Sistema Alimentar Europeu”, que acompanha a evolução da confiança entre 2021 e 2025 nos agricultores, retalhistas, restaurantes e fornecedores de alimentos, fabricantes e autoridades públicas.

Após atingir um ponto baixo em 2023, a confiança aumentou em todos os intervenientes, embora a recuperação continue a ser desigual, ou seja, os consumidores de 18 países, um dos quais Portugal, ainda confiam mais em certos intervenientes do que noutros.

Os agricultores lideram os níveis de confiança e continuam a ser o interveniente mais confiável de todo o sistema alimentar, com 68% dos europeus a expressarem confiança nesta classe em 2025, superando consistentemente todos os restantes intervenientes nas áreas de competência, cuidado e abertura.

Restaurantes e empresas de catering registaram o maior crescimento: este setor apresentou a melhoria mais forte, com a confiança a saltar de 48% para 53% num período de dois anos, ultrapassando pela primeira vez a média de confiança de todos os intervenientes.

Já os retalhistas mostram uma recuperação consistente desde a quebra sofrida entre 2021 e 2023, aproximando-se da média, sobretudo devido a melhorias na sua abertura, enquanto os fabricantes de alimentos registam um progresso mais modesto, mas significativo. No que diz respeito às autoridades, mostram uma recuperação consistente em todos os indicadores de confiança após atingirem um mínimo histórico em 2023.

Os determinantes da confiança mantêm o mesmo padrão em todos os setores: a competência é tipicamente a dimensão mais forte avaliada pelos consumidores, enquanto o cuidado é o aspeto mais desafiante para as marcas e instituições.

O relatório mostra ainda que a confiança nas características dos alimentos está a aumentar. De forma geral, os alimentos são cada vez mais percecionados como saudáveis, saborosos, seguros e autênticos, embora menos de metade dos consumidores mostre ainda confiança total nos mesmos. A perceção em relação à sustentabilidade dos alimentos continua consistentemente baixa e até em ligeiro declínio, com apenas 36% dos consumidores a considerarem sustentáveis os alimentos que têm à disposição.

Os níveis de confiança são bastante semelhantes independentemente da idade do consumidor. As pequenas diferenças demográficas revelam que os adultos mais velhos (55+) são quem mais confia nos agricultores (mais de 70%), enquanto os jovens adultos (18-34) confiam ligeiramente mais nos restaurantes e serviços de catering (56%).

Klaus G. Grunert, professor de Marketing na Universidade de Aarhus e Líder do Observatório do Consumidor Alimentar do Instituto Europeu da Inovação e da Tecnologia, considera que “a confiança é uma condição fundamental para o bom funcionamento de um sistema alimentar. Os resultados mostram que a confiança está a recuperar em toda a Europa, mas não de forma uniforme entre todos os intervenientes. A transparência, a competência e o cuidado serão essenciais para colmatar estas lacunas e apoiar a transição para dietas mais saudáveis ​​e sustentáveis”.

Para a indústria, as conclusões realçam a necessidade de uma comunicação mais clara, de uma rotulagem honesta e de preços transparentes. Para os decisores políticos e as autoridades, a regulamentação consistente e as orientações claras continuam a ser cruciais. À medida que a Europa avança para dietas mais saudáveis ​​e sustentáveis, a reconstrução da confiança será essencial para permitir a inovação, o envolvimento dos consumidores e a mudança a longo prazo.

Crédito imagem: Unsplash

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