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Quatro a 6 porções de cereais integrais por dia reduzem fatores de risco para as doenças cardíacas

pão de cereais integrais

Comer quatro a seis porções de cereais integrais por dia reduz vários fatores de risco importantes para as doenças cardiovasculares, revela um novo estudo publicado no European Heart Journal.

O estudo reúne os resultados de toda a investigação existente nesta área e inclui dados de 87 ensaios clínicos que testaram os efeitos do consumo de alimentos integrais nos fatores de risco para as doenças cardiovasculares. E mostra que uma dieta rica em alimentos integrais pode prevenir as doenças cardíacas, reduzindo o peso corporal, a pressão arterial e os níveis de colesterol e glicose no sangue.

Helda Tutunchi, da Universidade de Ciências Médicas de Tabriz, no Irão, líder do estudo, refere que, “embora o consumo elevado de cereais integrais esteja há muito associado a uma melhor saúde cardiovascular em estudos populacionais, os ensaios clínicos apresentaram resultados contraditórios. Isto deixou uma importante questão prática sem resposta: quanto de cereais integrais as pessoas devem consumir para melhorar significativamente a saúde cardiovascular? Para abordar esta questão, combinamos e analisámos sistematicamente todos os ensaios clínicos randomizados disponíveis para identificar a quantidade de cereais integrais associada aos maiores benefícios”.

A análise incluiu mais de 6.500 pessoas de estudos realizados na Ásia, Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Brasil e os resultados mostraram que o consumo de mais cereais integrais reduziu o peso corporal, a circunferência da cintura e a pressão arterial, além de diminuir os níveis de colesterol total e colesterol LDL (colesterol “mau”), triglicéridos, glicose e um indicador de inflamação (interleucina-6) no sangue.

Estes benefícios foram observados em pessoas que consumiam 30 a 40 gramas de cereais integrais por dia (peso seco), mas os maiores benefícios foram encontrados em pessoas que consumiam 60 a 100 gramas por dia. Isto corresponde a quatro a seis porções diárias de cereais integrais, por exemplo, uma taça de aveia, uma sandes de pão integral e uma porção de arroz integral.

“Os nossos resultados fornecem uma indicação prática da quantidade de cereais integrais que pode ser necessária para alcançar melhorias significativas nos fatores de risco cardiovascular. Aumentar a ingestão de cereais integrais é uma estratégia alimentar relativamente simples, acessível e económica, que pode complementar outras intervenções médicas e de estilo de vida”, refere Tutunchi.

“Verificámos que a maioria dos benefícios ocorre com ingestões de aproximadamente 60 a 100 gramas por dia, perto do limite superior das recomendações dietéticas atuais. Estes resultados não exigem necessariamente grandes alterações nas orientações existentes, mas apoiam estratégias de saúde pública que ajudem as pessoas a aumentar a sua ingestão de cereais integrais e a aproximarem-se do limite superior das metas atuais.”

Não é preciso um grande consumo de cereais integrais

Uma descoberta importante é que os cereais integrais podem beneficiar a saúde cardiovascular através de várias melhorias modestas que atuam em conjunto, em vez de um grande efeito sobre um único fator de risco.

“Observámos melhorias em múltiplas vias, incluindo lípidos sanguíneos, pressão arterial, regulação da glicose, gordura corporal e alguns marcadores de inflamação. Embora a alteração de cada factor de risco individual tenha sido geralmente modesta, a melhoria simultânea de vários factores de risco pode contribuir para uma maior redução do risco cardiovascular a longo prazo. No entanto, os estudos incluídos não avaliaram diretamente os eventos cardiovasculares, pelo que são necessários estudos a longo prazo para o confirmar”, refere a investigadora.

Cecilie Kyrø, especialista do Instituto Dinamarquês do Cancro, em Copenhaga, considera que este estudo “demonstra evidências de alta certeza para reduções no peso corporal, perímetro da cintura, colesterol total e interleucina-6 (IL-6), e evidências de certeza moderada para melhorias no colesterol LDL, triglicéridos, pressão arterial sistólica, glicemia de jejum e resistência à insulina”.

“Para os médicos, a mensagem de Naghshi é tranquilizadora e simples: incentivar os doentes a substituir alimentos à base de cereais refinados por cereais integrais minimamente processados provavelmente resultará em melhorias modestas, mas significativas, no peso corporal, na circunferência da cintura e nos lípidos sanguíneos, talvez particularmente em indivíduos com diabetes tipo 2. A nível populacional, mesmo pequenas alterações nestes marcadores podem traduzir-se em reduções substanciais nos eventos cardiometabólicos”, conclui.

Crédito imagem: Unsplash

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