Que noites bem dormidas trazem vantagens para a saúde já se sabia. Verena Senn, neurocientista e especialista do sono revela agora que cinco benefícios são esses.

Boas notícias para que esteja a tentar perder peso: dormir bem ajuda. Aqui, ter um sono de qualidade é essencial. Isto porque, segundo vários estudos, dormir pouco pode aumentar os níveis de grelina no corpo, a hormona responsável por estimular o apetite, e diminuir os níveis de leptina, responsável por suprimir esse mesmo apetite.

Assim, aumenta a tendência para um maior apetite e para a ingestão de mais calorias. Além disso, a vontade para fazer exercício físico também diminui.

Por isso, vários investigadores defendem que um dos maiores riscos para a obesidade é dormir pouco. Estima-se que crianças e adultos que durmam menos horas de sono do que o recomendado têm maior risco de desenvolver obesidade.

O sono reduz o stress

O número de horas de sono recomendadas para manter o coração mais saudável em adultos são de sete a nove horas de sono. 

Quando dormimos menos do que o recomendado, o nosso corpo entra mais facilmente em estado de stress. O nosso organismo é colocado em alerta máximo, o que provoca um aumento da tensão arterial e estimula a produção das hormonas do stress. Consequentemente, a tensão arterial aumenta o risco de um ataque cardíaco e AVC. 

Dormir melhora a memória

O sono é essencial para a consolidação de memórias. Durante o sono, o corpo pode estar a descansar mas o cérebro continua a trabalhar, processando todas as informações do dia os acontecimentos, organizando os sentimentos e memórias que surgiram nesse dia. 

A fase de sono profundo é o momento mais importante do nosso sono para que o corpo entre em modo de descanso profundo e o cérebro consiga processar todas as nossas  memórias  e conexões.

O sono melhora o sistema imunitário

Além do descanso, o sono permite também ao organismo reparar os danos do corpo causados pelo stress, constipações, exposição solar, cortes, etc,… É enquanto dormimos que o corpo produz as proteínas responsáveis por regenerar as células mais danificadas.

Estudos demonstram que que indivíduos que dormem  menos de sete horas têm quase três vezes mais probabilidade de desenvolver uma constipação do que aqueles que dormem oito horas ou mais.  

O sono diminui o risco de desenvolver a doença de Alzheimer

Sabe-se há muito que dormir pouco está associado a um maior risco de desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, revela ainda Verena Sen, especialista da Emma, start-up alemã fundada em 2015 e com presença em Portugal desde 2017.

Contudo, foi apenas em 2012 que os investigadores na Dinamarca e nos EUA identificaram uma razão possível: descobriram que, durante o sono, as células do cérebro encolhem e criam mais espaço entre si. Isto leva a um aumento do fluxo de líquido que dissipa o lixo celular acumulado durante o dia (sistema glinfático). São nestes depósitos que encontramos também o amiloide, a proteína que forma as famosas placas no cérebro dos doentes com a doença de Alzheimer.

Portanto, dormir pouco pode ser uma causa ou contribuir para a progressão da doença (entre outras)