Até 90% do risco de ataque cardíaco, AVC ou doença arterial periférica pode ser explicado pelo tabaco, hábitos alimentares inadequados, falta de atividade física, obesidade abdominal, hipertensão, níveis elevados de lípidos no sangue, diabetes, fatores psicossociais ou álcool. Reduzir o risco e prevenir as doenças cardiovasculares passa, por isso, por lidar com todos estes fatores, tal como é determinado pelas Diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia, recentemente publicadas, das quais constam algumas novidades.

Diretrizes que colocam o foco na doença cardiovascular aterosclerótica, que afeta as artérias. Isto porque, como o interior das artérias fica obstruído por depósitos de gordura, estas não conseguem fornecer sangue suficiente para o corpo, processo que é a principal causa de ataques cardíacos, AVC, doença arterial periférica e morte súbita. 

A forma mais importante de prevenir estes problemas é adotar um estilo de vida saudável ao longo da vida, sobretudo não fumar, e tratar os fatores de risco. A recomendação é dos especialistas, que sugerem ainda outras medidas.

Reduzir risco de AVC: novos conselhos e medidas já conhecidas

Parar de fumar é potencialmente a mais eficaz de todas as medidas preventivas, com reduções substanciais nos ataques cardíacos ou morte. De resto, o risco de doença cardiovascular nos fumadores com menos de 50 anos é cinco vezes maior do que nos não fumadores.

Logo, a cessação tabágica deve ser encorajada, defendem os especialistas, e o fumo passivo deve ser evitado sempre que possível. E, pela primeira vez, as diretrizes afirmam explicitamente que parar de fumar é recomendado e mantém-se benéfico, independentemente do ganho de peso que lhe possa estar associado.

Em relação ao exercício físico, já se sabe – e volta-se a reforçar – que os adultos de todas as idades devem esforçar-se por realizar pelo menos 150 a 300 minutos por semana de exercício de intensidade moderada, ou 75 a 150 minutos por semana de intensidade vigorosa, atividade física aeróbica ou uma combinação equivalente.

Mas é recomendada, pela primeira vez, a redução do tempo sedentário e a prática de pelo menos atividades ligeiras ao longo do dia. “O mais importante é encorajar atividades que as pessoas gostem e/ou possam incluir nas suas rotinas diárias, pois essas atividades têm maior probabilidade de ser sustentáveis.”

No que diz respeito à nutrição, recomenda-se uma dieta saudável a todos os indivíduos para prevenir a doença cardiovascular, enfatizando-se o consumo de vegetais, incluindo grãos inteiros, frutas, leguminosas e nozes.

As novas recomendações incluem a adoção de uma dieta mediterrânica ou semelhante; a restrição da ingestão de álcool a um máximo de 100 g por semana (uma bebida padrão contém 8 a 14 g); ingestão de peixe, de preferência gorduroso, pelo menos uma vez por semana; e a restrição do consumo de carne, especialmente carne processada.

Em termos de peso corporal, aconselha-se que as pessoas com excesso de peso e obesas percam os quilos a mais para reduzir a pressão arterial, os lípidos do sangue e o risco de diabetes e, assim, reduzir a probabilidade de doença cardiovascular e AVC. E, pela primeira vez também, as diretrizes afirmam que a cirurgia bariátrica deve ser considerada para indivíduos obesos com alto risco de doença cardiovascular, isto quando uma dieta saudável e a prática de exercício não resultam em perda de peso mantida.

O impacto das doenças mentais

As doenças mentais, como ansiedade, estão também associadas a um risco aumentado de doenças cardiovasculares e AVC e a um pior prognóstico para aqueles já diagnosticados com estes problemas. Aqui, as recomendações vão no sentido de fornecer suporte intensificado aos doentes, para melhorar a adesão às alterações ao estilo de vida e ao tratamento com medicamentos.

Outra novidade é considerar o encaminhamento destes doentes para gestão de stress.

As diretrizes recomendam ainda intervenções políticas ao nível populacional para melhorar a saúde cardíaca e promover escolhas saudáveis. Isso inclui medidas para diminuir a poluição do ar, reduzir o uso de combustíveis fósseis e limitar as emissões de dióxido de carbono ou aumentar a disponibilidade de espaços de recreação escolar e criar legislação que restrinja o marketing de alimentos não saudáveis ​​para crianças na televisão, Internet, redes sociais.

Os cigarros eletrónicos, que causam dependência, devem estar sujeitos a controlos de marketing semelhantes aos dos cigarros convencionais, sobretudo as variedades com sabores que atraem as crianças, devendo ainda ser consideradas advertências de saúde nos rótulos de bebidas alcoólicas.