Primeiro estranhou-se; agora, por cá, o termo mindfulness começa a ‘entranhar-se’, sendo muitas as iniciativas que realçam as suas vantagens. O tema vai estar em destaque nas I Jornadas de Mindfulness e Compaixão, onde serão apresentados os resultados de vários projetos sobre o tema, que confirmam o seu impacto.

Realizado pela Associação Portuguesa para o Mindfulness, juntamente com o Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental da Universidade de Coimbra e a Associação Mentes Sorridentes, será o primeiro encontro do género, com data marcada para 14 e 15 de fevereiro, no auditório do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

De acordo com a informação disponibilizada pela Universidade de Coimbra, serão cinco os projetos na área da educação, que já se encontram no terreno, que vão ser apresentados. Um deles, conhecido como ‘Mentes Sorridentes’, foi implementado pela primeira vez em Loures, por uma associação de professores, tendo-se estendido a outras zonas do País.

Quanto aos resultados, o impacto foi sentido em professores, alunos e na vida da escola.

“Nos professores, notou-se uma diminuição do stress, da ansiedade e do burnout; nas crianças, aumentou a satisfação com a vida e observou-se a melhoria da sua participação e rendimento escolar, assim como a diminuição de ansiedade”, refere a propósito José Pinto Gouveia, professor catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e coordenador científico das jornadas.

Mas há outros estudos em destaque, como ‘As escolas compassivas’, também na área da educação que, em Coimbra, teve o foco no desenvolvimento de competências de mindfulness, mas sobretudo de compaixão, com impacto na promoção do bem-estar psicológico e físico dos professores.

Benefícios do mindfulness na saúde

Na área da saúde, as jornadas vão dar a conhecer os resultados de um estudo, pioneiro em Portugal, realizado com jovens agressores, focado na terapia baseada na compaixão, assim como os resultados da aplicação de programas de mindfulness em mulheres com cancro de mama, na dor crónica e no combate à obesidade e ingestão alimentar compulsiva.

José Pinto Gouveia confirma que o mindfulness “tem vindo a ser amplamente reconhecido como ferramenta terapêutica eficaz, com benefícios validados empiricamente em diferentes áreas”. 

E ainda que não possa ser visto como “panaceia universal ou uma pílula da felicidade”, acaba por ser, “para a mente, o que o exercício físico é para o corpo. É um treino mental que tem de ser praticado, e essa prática desenvolve capacidades do cérebro e competências que nos permitem defender um pouco das próprias armadilhas do cérebro, por exemplo, da negatividade natural do cérebro”.