Para quem partilha a cama com uma pessoa que ressona, é no incómodo que mais se pensa. Mas este pode ser o indicador de algo mais: pode significar a presença de apneia obstrutiva do sono, um problema que, segundo as estimativas, afeta um milhão de portugueses e que, quando não tratado, pode ser perigoso para a saúde.

“Embora nem toda a gente que ressona tenha apneia do sono, o roncar é um sinal de alerta que deve ser levado a sério”, afirma Kannan Ramar, presidente da Associação Americana de Medicina do Sono.

“Se seu parceiro de cama ronca, ou se foi informado que é você que ressona, é importante conversar com um médico sobre o rastreio ou teste à apneia do sono. O tratamento pode melhorar a saúde geral e a qualidade de vida.”

Mas o que é afinal a apneia obstrutiva do sono? Trata-se de interrupções na respiração durante o sono. Ou seja, as vias aéreas ficam repetidamente bloqueadas completa ou parcialmente, limitando a quantidade de ar que chega aos pulmões. Quando isso acontece, as pessoas podem roncar ou fazer ruídos de asfixia.

O cérebro e o corpo sentem reduções severas no fluxo de oxigénio, causando múltiplos despertares do sono durante a noite ou, em casos mais graves, várias centenas de vezes por noite. Os indivíduos podem não estar cientes de que passam por esses episódios durante o sono.

O que deve saber sobre apneia do sono

São cinco os sinais de alerta para este problema, o primeiro dos quais o ressonar, que é normalmente percebido por um parceiro de cama.

Segue-se a asfixia ou respiração ofegante durante o sono, um indicador confiável de que nem tudo vai bem; a fadiga ou sonolência diurna, que costuma ocorrer porque a apneia do sono causa inúmeros despertares durante a noite, impedindo que seu corpo tenha o sono de alta qualidade de que precisa; a existência de obesidade, que aumenta o risco deste problema e ainda a pressão alta – entre 30 e 40% dos adultos com pressão alta também têm apneia do sono.

Outros sintomas comuns incluem sono não reparador, insónias, dores de cabeça matinais, acordar durante a noite para ir à casa de banho, dificuldade de concentração, perda de memória, diminuição do desejo sexual, irritabilidade ou dificuldade em permanecer acordado enquanto se vê televisão ou se conduz.

“Atrasar o tratamento da apneia do sono pode levar a problemas de saúde mais sérios”, acrescenta Ramar. “Felizmente, muitos dos efeitos prejudiciais da apneia do sono podem ser interrompidos, e até revertidos, através do diagnóstico e tratamento”, que consiste, por norma, numa terapêutica que mantém as vias aéreas abertas durante a noite, fornecendo um fluxo suave de ar através de uma máscara usada durante o sono.