Um novo estudo mostra que breves períodos de atividade física intensa podem desencadear alterações moleculares rápidas na corrente sanguínea, interrompendo o crescimento do cancro do intestino e acelerando a reparação de danos no ADN.
Investigadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, descobriram que o exercício aumenta a concentração de várias pequenas moléculas no sangue, muitas das quais associadas à redução da inflamação, à melhoria da função dos vasos sanguíneos e ao metabolismo.
Quando estas moléculas induzidas pelo exercício foram aplicadas em células de cancro do intestino em laboratório, a atividade de mais de 1.300 genes foi alterada, incluindo os envolvidos na reparação do ADN, na produção de energia e no crescimento das células cancerígenas.
As descobertas, publicadas no International Journal of Cancer, ajudam a explicar uma das formas como o exercício pode proteger contra o cancro do intestino: enviando sinais moleculares na corrente sanguínea que influenciam a atividade de genes que governam o crescimento tumoral e a instabilidade genómica.
O estudo representa mais um passo importante na luta contra o cancro do intestino e reforça ainda mais a importância de se manter ativo.
“O que é notável é que o exercício não beneficia apenas os tecidos saudáveis; envia sinais poderosos através da corrente sanguínea que podem influenciar diretamente milhares de genes nas células cancerígenas”, refere Sam Orange, professor de Fisiologia Clínica do Exercício na Universidade de Newcastle, que liderou o estudo.
“É uma descoberta entusiasmante porque abre portas para encontrar formas de imitar ou aumentar os efeitos biológicos do exercício, melhorando potencialmente o tratamento do cancro e, crucialmente, os resultados para os doentes. No futuro, estas descobertas poderão levar a novos tratamentos que imitem os efeitos benéficos do exercício na forma como as células reparam o ADN danificado e utilizam combustível para gerar energia.”
Um treino pode fazer a diferença
Os investigadores de Newcastle descobriram que o exercício aumentou a atividade dos genes que suportam o metabolismo energético mitocondrial, permitindo que as células utilizem o oxigénio de forma mais eficiente.
Ao mesmo tempo, os genes associados ao rápido crescimento celular foram desativados, o que poderia reduzir a agressividade das células cancerígenas, e o sangue condicionado pelo exercício promoveu a reparação do ADN, ativando um gene de reparação fundamental.
“É uma descoberta entusiasmante porque abre portas para encontrar formas de imitar ou aumentar os efeitos biológicos do exercício, melhorando potencialmente o tratamento do cancro e, principalmente, os resultados para os doentes”, refere o especialista.
O estudo envolveu 30 voluntários, homens e mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 78 anos, todos com excesso de peso ou obesos (um fator de risco para o cancro do intestino), mas saudáveis noutros aspetos.
Após completarem um teste de ciclismo curto e intenso com uma duração aproximada de 10 minutos, os investigadores recolheram amostras de sangue e analisaram 249 proteínas. Pelo menos 13 apresentaram um aumento após o exercício, incluindo a interleucina-6 (IL-6), que auxilia na reparação do ADN das células danificadas.
De acordo com o médico, “estes resultados sugerem que o exercício não beneficia apenas os tecidos saudáveis, mas também pode criar um ambiente mais hostil para o crescimento de células cancerígenas”, como se verificou com o cancro do intestino.
A boa notícia, acrescenta, é que “mesmo um único treino pode fazer a diferença. Uma sessão de exercício, com uma duração de apenas 10 minutos, envia sinais poderosos para o corpo. É um lembrete de que cada passo, cada sessão, conta quando se trata de fazer o possível para proteger a sua saúde”.
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