Há uma hormona que vários estudos têm associado ao crescimento do cancro da mama, e que agora um novo trabalho de investigação descobriu que pode mesmo ser a responsável pela doença.

Conhecida como fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1), esta hormona de crescimento está associada, sem dúvidas, ao cancro da mama, revela um estudo publicado na principal revista de oncologia, o Annals of Oncology.

O IGF-1 já era conhecido por incentivar o crescimento e a proliferação de células cancerígenas. Agora, duas novas avaliações de dados de várias centenas de milhares de mulheres britânicas revelaram que não apenas existe uma associação entre os níveis mais altos de IGF-1 em circulação no sangue e o desenvolvimento de cancro da mama, mas que estes podem mesmo ser responsáveis pela doença.

Especialistas da Agência Internacional de Investigação sobre Cancro (IARC), em França, e da Unidade de Epidemiologia do Cancro da Universidade de Oxford, Reino Unido, realizaram dois estudos complementares para investigar o papel do IGF-1 no desenvolvimento destes tumores.

O primeiro analisou as associações entre os níveis de IGF-1 no sangue e a probabilidade da doença se desenvolver, trabalho que contou com a participação de 206.263 mulheres.

O segundo usou uma técnica chamada randomização mendeliana, que utiliza análises estatísticas complexas de dados de grandes estudos populacionais, para analisar a informação de 265 variantes de genes conhecidos por estarem associados às concentrações de IGF-1 em 122.977 casos de cancro da mama e 105.974 mulheres sem a doença (os chamados controlos). 

Como baixar os níveis da hormona 

Ao longo de sete anos de acompanhamento, foram contabilizados 4.360 casos de cancro da mama e descobriu-se que as mulheres com concentrações de IGF-1 nos níveis 20% superiores tinham 1,24 vezes maior probabilidade de desenvolver a doença, em comparação com as dos 20% inferiores, após ajustes por vários fatores que poderiam afetar os resultados, como idade, atividade física, índice de massa corporal, consumo de álcool, tabagismo, nível educacional e concentrações de outras hormonas e proteínas no sangue.

Neil Murphy, cientista do IARC, explica os “níveis mais altos de IGF-1 a circular no sangue, conforme determinado por medições de sangue e marcadores genéticos, estão associados a um maior risco de cancro da mama. Estes resultados apoiam um provável papel causal da via do IGF no desenvolvimento do cancro da mama”.

“De acordo com o que sabemos, este é o maior estudo isolado e o primeiro de randomização mendeliano a examinar a relação entre IGF-1 e cancro da mama”, refere Marc Gunter, cientista e chefe da seção de nutrição e metabolismo do IARC.

E os seus resultados, acrescenta, “fornecem as evidências mais fortes até ao momento para um papel causal do IGF no desenvolvimento do cancro da mama e sugerem que alterar estes níveis através da dieta e estilo de vida ou meios farmacológicos pode ser uma estratégia eficaz na prevenção primária do cancro da mama. O nosso próximo passo é entender melhor quais as práticas de estilo de vida que podem alterar as concentrações de IGF-1 e, por sua vez, as probabilidade de desenvolvimento da doença”.