Reduzir o número de falsos casos positivos de cancro da mama é o que se pretende com um novo método, que oferece um grau de confiança próximo dos 90%, o mais elevado neste tipo de sistemas, e que promete vir a ser de grande utilidade na prática clínica.

A novidade, desenvolvida por um grupo de investigadores da Universidade Politécnica de Valência e do Instituto de Física Corpuscular e Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), permite reforçar os atuais métodos que, de acordo com os especialistas, se limitam a detetar áreas potencialmente suspeitas nas imagens disponíveis.

Já este dispositivo vai mais além, ao reduzir o número de áreas suspeitas ou falsos alarmes, ao mesmo tempo que fornece informações sobre a presença de cancro, o que é possível com recurso a técnicas de inteligência artificial, como redes neurais e ao uso de algoritmos preditivos.

As mamografias são exames de diagnóstico que já deram provas na deteção precoce do cancro da mama, um dos tumores com maior incidência nos países desenvolvidos. O novo sistema pode reduzir falsos positivos em todas as faixas etárias e, ao minimizar os falsos alarmes, evitar que se realizem testes mais prejudiciais para as mulheres. Ao mesmo tempo, permite ainda uma redução nos custos clínicos.

“Para além disso, se para outros indícios clínicos o profissional suspeitar de um diagnóstico positivo não evidente, pode amplificar as regiões que apresentam maior suspeita de tumor e que ainda não são detetáveis pelo olho humano, para facilitar futuras localizações da biopsia”, refere Francisco Albiol, investigador do CSIC.

“Por cada ano de diagnóstico precoce de cancro de mama, a expectativa de vida dos doentes a cinco anos é aumentada em 20%. Por isso, o algoritmo que desenvolvemos pode ser uma ferramenta muito útil no diagnóstico precoce deste tipo de cancro, oferecendo aos especialistas um sistema adicional”, acrescenta.

O estudo continua, com os investigadores a trabalhar na melhor forma de traduzir este método para a prática clínica.