Perda repentina de rendimentos aumenta risco de morte

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Ninguém gosta de perder dinheiro, mas um estudo realizado pela Northwestern Medicine e Universidade do Michigan revela que o impacto desta perda pode ir muito além de um mau estar. De facto, uma perda súbita de rendimento está mesmo associada a um risco significativamente maior de morte.

Publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), o trabalho conclui que quando as pessoas perdem 75% ou mais do seu rendimento total num período de dois anos, têm um risco 50% superior de morte nos 20 anos seguintes.

“Verificamos que perder as economias de uma vida tem um efeito profundo na saúde a longo prazo de uma pessoa”, afirma em comunicado Lindsay Pool, professora de Medicina Preventiva no departamento de Epidemiologia da Northwestern Medicine e uma das autoras do trabalho, o primeiro do género a olhar para os efeitos a longo prazo de uma grande perda financeira.

“Os nossos resultados oferecem novas evidências para um determinante social de saúde potencialmente importante, que até agora não foi reconhecido: a perda súbita de rendimento numa idade média ou mais avançada”, explica Carlos Mendes de Leon, professor de epidemiologia e outro dos responsáveis pelo estudo.

O estudo analisou também um grupo de pessoas com rendimentos mais baixos, sem riqueza acumulada, consideradas socialmente vulneráveis ​​em termos de saúde. Neste caso, o aumento do de mortalidade em 20 anos foi de 67%.

“A descoberta mais surpreendente foi que ter rendimento e perdê-lo é quase tão mau para a expectativa de vida como nunca ter tido rendimento”, acrescenta Pool, que considera que a causa provável do aumento do risco de morte pode ser dupla. “Estas pessoas sofrem danos na saúde mental devido à perda financeira, para além de se afastarem dos cuidados médicos porque muitos não os podem pagar.”

De acordo com os especialistas, é preciso que os médicos tenham “consciência das circunstâncias financeiras dos seus doentes. Isso é algo sobre o qual precisam de perguntar, para entender se os doentes correm maior risco”.

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