O HPV, o vírus do papiloma humano, é um vírus muitas vezes associado ao cancro do colo do útero, ainda que possa ser também responsável por casos de cancro do ânus, pénis, vagina e vulva, e alguns tipos de cancros da boca e garganta. No entanto, ter este vírus não quer dizer que uma pessoa vai ter cancro. Afinal, o que é que isto significa?

A resposta é dada pelos especialistas do Cancer Research UK, que começam por explicar que o HPV é um vírus muito comum, tanto que a maioria de nós o terá em algum momento da vida muitas vezes sem que se saiba ou sem que este cause algum dano.

O HPV vive na pele e nas células que revestem o interior do nosso corpo, pelo que pode passar de pessoa a pessoa através do contacto pele a pele, frequentemente durante o sexo. Isso inclui sexo anal e vaginal com penetração, sexo oral, tocar e usar brinquedos sexuais com um parceiro, como vibradores.

O vírus tem um período de “dormência”, o que significa que passa algum tempo no nosso corpo sem causar qualquer dano, em geral durante alguns anos, que se podem estender por décadas. E, quando está dormente, não pode ser detetado através de um teste, mas pode tornar-se ativo mais tarde, quando então poderá ser detetado. 

Não há cura para o HPV, mas na maioria das vezes o sistema imunitário do nosso corpo faz o trabalho que lhe é devido e elimina a infeção sozinho antes de esta causar danos. Só quando certos tipos ou estirpes de HPV não podem ser eliminados pelo nosso corpo é que o dano pode acontecer nas nossas células.

O exame regular ao colo do útero monitoriza a infeção por este vírus, verifica se a infeção desapareceu desde a última triagem ou se a infeção fez com que as células do colo do útero mudassem e precisem de tratamento.

Muitas estirpes de HPV

Existem mais de cem tipos ou estirpes diferentes de HPV e cerca de 13 estão relacionados com o cancro, pelo que é possível ter várias infeções e ter diferentes estirpes ao longo dos anos, que são detetadas no rastreio ao cancro do colo do útero.

No que diz respeito a uma possível reinfeção, o nosso sistema imunitário funciona em norma através do reconhecimento de que algo que não está bem e construindo uma imunidade, o que significa que não podemos ter a mesma infeção novamente. Mas vários estudos mostram que a nossa imunidade natural contra o HPV não é muito boa, podendo então ser possível ter a infeção novamente.

Não há testes para o HPV, além do que integra o rastreio ao cancro do colo do útero. Mas há formas de reduzir o risco de contrair ou transmitir o HPV, sendo importante, no entanto, recordar que este é um vírus muito comum e que é normal tê-lo em alguns momentos da vida.

Como o HPV é transmitido entre as pessoas durante o contacto pele a pele, os métodos de barreira, como os preservativos, podem reduzir o risco, mas não funcionam perfeitamente. Ter HPV não significa, no entanto, que tem de deixar de manter relações sexuais com um parceiro. É que embora a infeção por HPV em si seja comum, já não é assim tão frequente que venha a causar cancro. Contas feitas, cerca de 80% das pessoas terão uma infeção por este vírus em algum momento das suas vidas, mas apenas uma pequena percentagem desenvolverá um cancro relacionado com o HPV.

A imprtância da vacinação

O HPV pode ser transmitido entre mãe e filho durante a gravidez ou parto, mas não é muito provável. E se isso acontecer, geralmente a infeção desaparece por si mesma e não há problemas para a criança.

A vacinação contra o HPV é importante para reduzir o número de pessoas com o vírus de alto risco e, por sua vez, o número de pessoas que desenvolvem cancros associados ao HPV. 

De facto, as vacinas atuam reduzindo o risco de contrair uma infeção, mas não foram criadas para eliminar uma infeção já existente. É por isso que o programa de vacinação inclui crianças, uma vez que é provável que não exista ainda uma exposição ao HPV, o que a faz funcionar melhor. Existindo exposição ao HPV, a vacina torna-se menos eficaz.

A melhor forma de proteção contra o cancro do colo do útero é fazer exames regulares. Independentemente de se ter ou não a vacina, o rastreio é fundamental.