Cada vez mais doentes com cancro disponíveis para ensaios clínicos

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São cada vez mais os doentes disponíveis para participar em ensaios clínicos, cada vez mais cedo, confirmam os especialistas no arranque do Congresso Internacional Targeted Anticancer Therapies, que decorre até dia 7 de março, em Paris, França. E fazem-nos porque querem combater o cancro o máximo que puderem.

“A importância dos ensaios nas fases iniciais está a aumentar devido à necessidade urgente de novos medicamentos”, afirma Markus Joerger, oncologista no St Gallen Cancer Center, na Suíça. Uma importância que foi acompanhada pelo crescente interesse dos doentes em participar nestes ensaios.

“O público sabe que o tratamento do cancro não é apenas a quimioterapia, muitas vezes acompanhada de efeitos secundários substanciais. Agora também temos terapias direcionadas e a imunoterapia”, refere, acrescentando que a isto se junta “uma compreensão mais profunda da biologia do tumor”, o que permite uma melhor seleção dos doentes que participam nos ensaios, “levando a maiores taxas de resposta e aumento do benefício clínico. Os ensaios em estádio inicial incluem mais doentes do que antes, então existe o potencial de benefício para um maior número de pessoas”.

Combater a doença

Foi para saber o que levava as pessoas a participar nestes ensaios que Benjamin Verret, do Institut Gustave Roussy, em França, realizou um trabalho, que teve por base as respostas a um questionário. “Há dez anos, os ensaios clínicos de fase 1 talvez talvez fossem a única opção para doentes com cancro em fase avançada, que não respondiam ao tratamento padrão”, explica. “Hoje já não é assim. Quem participa nos estádios iniciais dos ensaios tem acesso a alternativas de tratamento”, acrescenta.

Combater a doença o mais possível foi um dos principais motivos que leva os doentes a optar por participar num ensaio clínico de fase 1. “No nosso estudo, apenas um em cada seis doentes afirmar que participar era sua única opção. Mais de dois terços disseram que o motivo para participar foi ‘ter acesso ao melhor tratamento contra o cancro’.”

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