Os estigmas sociais e os mitos à volta do vírus do papiloma humano (HPV) podem deixar as mulheres ansiosas, levá-las a colocar em causa a fidelidade dos parceiros e colocá-las fora do rastreio do cancro do colo do útero, revela um inquérito apresentado na Early Diagnosis Conference, em Birmingham.

Realizado junto de mais de 2.000 mulheres do Jo’s Cervical Cancer Trust, os dados mostram que os estigmas associados ao HPV incluem vergonha, medo e promiscuidade.

Quase 40% das inquiridas revelaram preocupação com aquilo que as pessoas pensam deles se dissessem que tinham HPV e mais de 40% confessam sentirem-se preocupadas com o facto do seu parceiro ter sido infiel.

Sete em cada dez mulheres admitem medo de saber que têm HPV e dois terços preocupam-se que isso se traduza em cancro.

Informações erradas e desconhecimento

Os resultados permitem concluir que muitas mulheres não entendem o vínculo entre o HPV e o cancro: uma em cada três não sabe que pode este vírus causar cancro do colo do útero e quase todas desconhecem que pode causar cancro da garganta ou da boca.

De acordo com os investigadores, apenas 15% das entrevistadas sabem que a infeção pelo HPV é frequente. De facto, oito em cada 10 mulheres têm alguma forma de infeção por HPV durante a sua vida, mas apenas muito poucas vão desenvolver tipos específicos de alto risco, que dão origem ao cancro.

Sara Hiom, uma das diretoras do Cancer Research UK, considera “preocupante que haja muitos mal-entendidos sobre o HPV. É um vírus muito comum e, na maior parte das vezes, fica inativo e não causa problemas”.

“O teste ao vírus é uma forma de melhor identificar as pessoas que podem ter alterações no colo do útero que, se não forem tratadas, podem transformar-se em cancro do colo do útero. Portanto, o rastreio do HPV é uma excelente forma de prevenir o desenvolvimento deste cancro.”

A especialista acrescenta ainda que “todas as mulheres têm a escolha de fazer o rastreio, mas acabar com os mitos e remover os estigmas à volta do HPV é vital para garantir que as pessoas se sintam mais confiantes para marcar consultas e ir aos rastreios do colo do útero”.