“Consultas e tratamentos adiados devido à Covid-19 constituem um risco acrescido para os doentes com esclerodermia, que poderão ver a sua doença agravada”, refere Catarina Leite, presidente da Associação Portuguesa de Doentes com Esclerodermia (APDE), que deixa o alerta.

A esclerodermia, que afeta até  3.000 pessoas em Portugal, é uma doença sistémica que pode afetar inúmeros órgãos, o que obriga a uma vigilância e controlo regular feito a estes doentes. 

Seja por incapacidade do Sistema Nacional de Saúde nesta altura de pandemia ou por medo dos próprios doentes, esta diminuição no controlo, a que se tem assistido e é agora denunciada pela associação, poderá vir a ter consequências graves.

Catarina Leite refere que, “apesar de estes doentes poderem apresentar quadros mais graves de doença, caso sejam infetados, e de esta vulnerabilidade ser real, o risco de deixar a esclerodermia por tratar pode ser muito mais grave”.

Acrescenta ainda que “os doentes devem sempre seguir as indicações do seu médico e não adiar consultas ou idas necessárias ao hospital”.

Falta informação sobre esclerodermia

A propósito do Dia Mundial da Esclerodermia, que se assinala esta segunda-feira (29 de julnho), irá realizar-se uma campanha europeia, levada a cabo pela Federação Europeia de Associações de Esclerodermia (FESCA), com o slogan “O nosso sorriso é vulnerável, proteja-se para nos proteger”.

Em Portugal, esta campanha irá materializar-se com a distribuição de cartazes em hospitais e farmácias e com vídeos de profissionais de saúde, no sentido de esclarecer as dúvidas dos doentes. 

Catarina Leite alerta ainda para a necessidade de mais informação, mais esclarecimento e mais conhecimento para facilitar o diagnóstico, “já que, em média, um doente com esclerodermia tem de consultar até cinco médicos para conseguir um diagnóstico”.

“Além de todas as dificuldades inerentes aos sintomas da doença, reconhecendo que alguns dos sintomas podem ser incapacitantes, os doentes deparam-se com a desinformação que a população em geral tem sobre este problema”, refere a presidente da APDE. 

Esta é uma doença rara, que afeta sobretudo as mulheres e que tem o seu pico de incidência entre os 35 e 45 anos, podendo, no entanto, ocorrer em qualquer idade.

“Por se tratar de uma doença rara, para se receber tratamento adequado é necessário encontrar um dos especialistas que se dedicam à doença, já que a mesma é desconhecida mesmo para muitos profissionais de saúde. Ora estes especialistas estão, salvo raras exceções, nos grandes centros, como Lisboa, Porto e Coimbra, o que faz com que alguns doentes tenham de percorrer muitos quilómetros para se deslocarem às consultas, exames e tratamentos”, refere Catarina Leite.

Estes doentes devem sempre seguir as recomendações dos médicos e da Direção-Geral de Saúde e, sempre que precisarem, podem recorrer à APDE.