Ao longo da história, as pandemias têm sido o principal fator de mudança da população humana, graças à mortalidade e ao declínio das taxas de fertilidade. E, de acordo com um novo estudo, a COVID-19 não é exceção, com uma quebra na natalidade.

Os nascimentos diminuíram 7,1% nos Estados Unidos, de acordo com estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Seth Sanders, professor da ILR School, e os colegas deram conta da relação entre a pandemia COVID-19 e os nascimentos em 22 países, tendo encontrado quedas particularmente fortes no sul da Europa: Itália (-9,1%), Espanha (-8,4%) e Portugal (-6,6%), enquanto Dinamarca, Finlândia, Alemanha e Holanda não registaram queda alguma.

Sobre os resultados, os autores consideram que “quando comparada com a grande queda no sul da Europa, a estabilidade relativa das [taxas brutas de natalidade] no norte da Europa aponta para o papel das políticas de apoio às famílias e ao emprego na redução de qualquer impacto sobre os nascimentos”.

“O resultado final é que houve muita variação entre os países no declínio. Não abordamos o porquê, mas pensamos que muito disso tem a ver com o grau de rutura económica, juntamente com o grau de apoio social na ausência de emprego”, refere Sanders.

Para realizar o estudo, os investigadores usaram dados mensais dos nascimentos entre janeiro de 2016 a março de 2021, que correspondem a gravidezes de termo entre abril de 2015 a junho de 2020. Em seguida, compararam as informações sobre nascimentos com as estimativas populacionais das Perspetivas da População Mundial da Divisão de População das Nações Unidas (ONU) para estabelecer a sua fórmula.

Os autores incluíram apenas países que pertencem ao grupo dos mais ricos, de acordo com o Banco Mundial, e que tinham dados populacionais e de natalidade disponíveis até pelo menos novembro de 2020.