No dia em que os médicos do Hospital de São João confirmaram que a bebé nascida de mãe infetada com COVID-19 não contraiu o vírus, um novo estudo que avalia o COVID-19 nas mulheres grávidas no terceiro trimestre confirma que este não parece atravessar a placenta da mãe para causar infeção no feto.

Publicado na revista científica Archives of Pathology & Laboratory Medicine, o estudo observacional incluiu 38 casos documentados de mulheres grávidas na China com diagnóstico de COVID-19.

Todas as mulheres, com idades entre 26 e 40 anos, estavam no terceiro trimestre quando desenvolveram a infeção, tendo o autor do trabalho avaliado os efeitos do coronavírus nas mães e nos bebés e, em particular, se estes desenvolveram a infeção antes do nascimento.

“Até agora, problemas de saúde preexistentes não parecem ser um fator de risco que contribua para a transmissão viral materno-fetal ou para uma maior mortalidade de bebés ou grávidas com COVID-19”, afirma David A. Schwartz, patologista da Universidade de Augusta, nos EUA especializado em saúde materna global.

Das 38 gestantes, nenhuma apresentou doença crónica preexistente, mas várias desenvolveram complicações durante a gravidez, que incluíram gripe, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e trabalho de parto prematuro.

Algumas apresentaram sintomas como tosse, dor de garganta, dor muscular, desconforto, sintomas gastrointestinais e falta de ar, mas nenhuma desenvolveu pneumonia grave ou precisou de cuidados intensivos.

Entre as mulheres grávidas, é comum o aumento do risco de infeções virais respiratórias. Surtos anteriores de diferentes coronavírus, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2002-2003 e a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS), em 2012, aumentaram o risco de mulheres grávidas terem complicações obstétricas, incluindo pneumonia, perda precoce e até morte.

No entanto, não havia mulheres com SARS ou MERS em que o vírus tivesse passado pela placenta de mãe para bebé.

Felizmente, nas 38 mulheres avaliadas neste artigo, o COVID-19 não causou morte materna. No entanto, é necessária a análise de casos adicionais para determinar se essa é uma possibilidade.

Cuidados para evitar o COVID-19 nas mulheres grávidas

Apesar de algumas infeções virais poderem ameaçar a saúde e a sobrevivência de mães e fetos infetados, principalmente o vírus Ebola e outros vírus que podem causar malformações fetais ou morte, como o Zika e a rubéola, atualmente não há evidências documentadas de que o COVID-19 provoque qualquer um destes resultados em mulheres grávidas ou fetos.

No que diz respeito aos cuidados a ter a gravidez, a o Fundo das Nações Unidas para a População recomenda que as mulheres grávidas tenham os mesmos cuidados que a restante população para evitar infeções, como evitar contacto próximo com qualquer pessoa que esteja a tossir ou espirrar, lavar as mãos com frequência com água e sabão, ou utilizar álcool em gel, cobrir a boca e o nariz com um lenço ou o cotovelo quando tossir ou espirrar.