
Têm sido muitas as notícias sobre eventuais vacinas contra a COVID-19. Quase todos os dias se fala sobre o tema, que levanta ainda muitas dúvidas. Edward Jones-Lopez, médico, especialista em doenças infecciosas da Keck Medicine of USC e investigador de um dos ensaios clínicos que está atualmente a decorrer, esclarece algumas dúvidas.
Quantas potenciais vacinas contra a COVID-19 existem?
Atualmente, existem cerca de 45 vacinas candidatas, que estão a ser alvo de testes em ensaios clínicos em humanos, além de muitas testadas em animais. Os investigadores estão a usar várias abordagens para estimular potencialmente uma resposta imunitária no corpo, capaz de proteger contra o SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19. O tipo mais comum de vacina candidata contém um vírus que foi geneticamente modificado com genes de coronavírus para provocar a resposta imunitária que se pretende.
Quais são as diferentes fases dos ensaios clínicos das vacinas contra a COVID-19?
Após a conclusão dos testes iniciais em laboratório e em animais, as vacinas candidatas entram num ensaio clínico humano de fase 1, onde um pequeno grupo de pessoas (10-50) recebe a vacina experimental para determinar a dosagem, potenciais efeitos secundários da administração da sua administração e a segurança da vacina.
A Fase 2 faz aumentar o número para centenas de voluntários, onde continuam os testes e são recolhidos dados iniciais sobre a potencial eficácia da vacina.
Na fase 3, o ensaio é feito com dezenas de milhares de pessoas, para medir se a vacina oferece proteção contra a infeção por SARS-CoV-2 ou doença grave, continuando a focar-se na segurança de uma população diversa.
Várias potenciais vacinas estão atualmente em ensaios clínicos de fase 3, cada uma incluindo 30.000 ou mais voluntários.
Como funcionam os ensaios clínicos de Fase 3?
Nestes ensaios, um grupo de voluntários é selecionado aleatoriamente para receber a vacina experimental, enquanto outro recebe placebo. Os investigadores então comparam quantos dos vacinados foram infetados ou ficaram doentes com o coronavírus, em comparação com aqueles que receberam placebo.
Quando estará disponível uma vacina e qual será sua eficácia?
Alguns ensaios clínicos das vacinas contra a COVID-19 de fase 3 estão quase a terminar o recrutamento de voluntários. Podemos ter uma ou mais vacinas disponíveis de entre três a seis meses após a conclusão da inscrição no ensaio, o que pode ser no início do próximo ano.
É provável que as pessoas precisem de ser vacinadas todos os anos, assim como para a gripe, mas ainda não sabemos ao certo.
As vacinas levam normalmente entre cinco a sete anos para serem desenvolvidas. Como é que esta está a ser desenvolvido tão rapidamente e como podemos saber se é segura?
Estamos a beneficiar do trabalho anterior, realizado nas últimas décadas, para encontrar vacinas seguras e eficazes com mais rapidez. Além disso, o fabrico de uma vacina começa tradicionalmente depois de a vacina ter sido aprovada, através de um ensaio clínico de fase 3. No entanto, dada a emergência global relacionada com a COVID-19, várias entidades estatais e privadas em todo o mundo concordaram em cobrir os custos de fabrico de milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 potenciais durante os ensio clínicos, reduzindo anos do processo.
Apesar da velocidade de desenvolvimento, os cientistas estão a aderir aos mesmos protocolos de segurança rígidos que foram seguidos para todas as outras vacinas previamente aprovadas e que provaram ser seguras, em alguns casos após várias décadas de uso.