Antes de uma intervenção cirúrgica, as dúvidas costumam ser muitas, quase tantas como os receios. Uma especialista norte-americana considera que há três etapas principais na preparação para a cirurgia: o que fazer antes, o que acontece no dia e o que esperar durante a recuperação. E deixa conselhos para todas elas.

Emily Huang, cirurgiã do Centro Médico Wexner, da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, considera que a parte mais importante da preparação para a cirurgia é minimizar quaisquer fatores de risco que a pessoa possa controlar.

“Para alguns doentes, comparo a preparação para a cirurgia com o treino para uma corrida. Antes de entrar no bloco operatório, deve estar na melhor forma possível”, afirma.

É, por isso, importante evitar o tabaco como regra geral. Mas se fuma, tente parar antes da cirurgia, já que até essa redução é benéfica.

Fumar aumenta o risco de complicações e torna muito mais difícil a cicatrização das feridas após a cirurgia. Huang explica que, por este motivo, encaminha muitas vezes os doentes para um programa de cessação do tabagismo para obterem apoio extra para parar.

O que pode controlar

Os diabéticos devem procurar ter o melhor controlo do açúcar no sangue, pelo que este é um excelente momento para otimizar a  nutrição. 

Huang recomenda também exercícios, como caminhadas regulares ou outros movimentos, para ajudar a recuperar mais rapidamente.

Para quem for submetido a uma cirurgia complicada, é bom conversar com pessoas que já passaram pelo mesmo.

“Alguns procedimentos, como a ostomia [uma intervenção cirúrgica que permite criar uma abertura artificial no corpo], podem alterar a vida e os grupos de apoio podem ajudar a preparar-se mentalmente. Também podem ajudar a ficar melhor preparado para o período de recuperação”, refere a especialista.

Quais são os riscos associados ao procedimento? Esta é uma questão recorrente e que deve ser colocada ao cirurgião.

Existem dois tipos de risco: os realmente sérios, mas com baixa probabilidade de se concretizarem; e os menos sérios, mas mais comum, como infeções.

No dia da cirurgia, prepare-se para ser flexível com os horários. E saiba que pode ajudar a evitar a ocorrência de erros. Para isso, compreenda qual é a sua cirurgia, para que possa, quando questionado sobre o tema, identificar o que vai acontecer.

E não se surpreenda se conhecer muita gente. É que, além do cirurgião, um anestesista, enfermeiros e auxiliares fazem também parte da equipa.

E depois da cirurgia?

Do outro lado, na sala de espera, encontra-se a família. Huang explica que tenta sempre definir expectativas para os familiares dos seus doentes, que podem sentir-se ansiosos no dia da cirurgia.

Também eles devem ser flexíveis no que à duração do procedimento diz respeito, uma vez que este pode atrasar-se ou demorar mais do que o esperado.

Após a intervenção cirúrgica, o doente poderá permanecer durante alguns dias no hospital. Neste casos, deve questionar sobre quais os marcos que precisa de alcançar antes de poder voltar para casa. Como a cirurgia ortopédica, por exemplo, que pode exigir certas capacidades de movimento para que se obtenha a alta.

E devem também perguntar sobre os cuidados a ter no pós-operatório, quais as eventuais complicações ou sintomas a que se deve estar atento.

Dependendo do tipo de cirurgia, o doente pode sentir-se mal durante algumas semanas ou mais, pelo que é importante que saiba o que é normal, assim como quais as restrições alimentares, sem esquecer que a recuperação é um processo.