
São vários os estudos que o confirmam e que alertam para o facto de, entre os estudantes universitários, ser maior o risco de problemas de saúde mental. Liderado pela Universidade de Bristol, um novo trabalho sugere o mindfulness como ferramenta para afastar esse risco.
Realizado junto de estudantes de medicina, contou com a participação de 57 jovens aspirantes a médicos, referenciados pelos seus médicos de família.
Ao longo de oito semanas, durante duas horas, os jovens receberam treino de mindfulness, comprometendo-se à prática diária de 30 minutos de atenção plena entre estas sessões.
O treino realizou-se entre o outono de 2011 e a primavera de 2015, e ensinou aos participantes como funciona a mente, como o stress afeta a vida, a consciência dos fatores que desencadeiam e os sintomas do mesmo, assim como técnicas para o enfrentar, práticas de meditação e a importância do autocuidado.
No final de cada programa, os alunos completaram um inquérito e realizaram seis entrevistas qualitativas, com a duração entre 60 e 90 minutos.
Mindfulness já faz parte de alguns currículos
Findo o treino, os alunos apresentaram melhor empatia e capacidades de comunicação com os seus doentes, através da capacidade recém-adquirida de perceber os seus próprios pensamentos e sentimentos.
Relataram ainda uma melhor capacidade de gerir a sua carga de trabalho e de perceber o raciocínio automático (como o facto de não serem suficientemente bons), sem se identificarem com esses pensamentos.
Para estes alunos de medicina, o mindfulness ajudou a melhorar a sua relação com a aprendizagem através da atenção plena e a recuperar a concentração durante os longos dias de estudo, assim como a dar uma melhor resposta em caso de situações stressantes na prática clínica ou durante os exames.
Ainda que sejam necessários mais estudos sobre o tema, os investigadores concluíram que estas descobertas iniciais sugerem que o mindfulness ajuda a reduzir a ansiedade, a preocupação excessiva, padrões de pensamento negativos e a melhorar a resiliência ao stress. E ainda a melhorar o bem-estar emocional e o desenvolvimento profissional.
Alice Malpass, investigadora na Bristol Medical School e coautora do estudo, considera que “este trabalho mostra como a atenção plena pode ajudar os estudantes que estão com dificuldades, sobretudo os de medicina, a encontrar novas formas de se relacionarem com as dificuldades que surgem no seu trabalho clínico, estudo e bem-estar”.
Na Austrália, Nova Zelândia, Canadá e EUA, o treino em mindfulness faz parte do currículo médico, mas continua por implementar noutros países, entre os quais Portugal, onde têm havido algumas experiências na área da saúde.