O poder curativo dos rituais: o benefício psicológico de decorar a árvore de Natal mais cedo

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É dos adeptos do nunca é demasiado cedo para decorar a casa com motivos de Natal? Então saiba que, de acordo com Vineeth John, professor de psiquiatria da McGovern Medical School, nos EUA, este é um dos rituais que pode até ter capacidades curativas.

“Rituais como a decoração para as festas de fim de ano são realmente curativos e, de certa forma, podem devolver a sensação de identidade pessoal que foi forçada a desaparecer durante a pandemia”, afirma o especialista.

“Decorar cedo é uma forma de tentar resgatar as nossas tradições e rituais, que nos oferecem confluência de memórias, identidade, conexões e família. Oferecem uma forma de restaurar, pelo menos parcialmente, o que foi perdido devido ao impacto da pandemia e regressar ao nosso eu autêntico.”

Ate porque, de acordo com a mesma fonte, mudar repentinamente a forma como vivemos, trabalhamos e interagimos com outras pessoas, que tem sido apanágio destes novos tempos e renunciar às interações pessoais, trocando-as por interações digitais, contribuiu para a erosão da identidade de muitos.

“Realmente precisamos de um sentido de validação e reciprocidade das outras pessoas para aprimorar o nosso senso de identidade. As interações digitais são ótimas, mas não substituem totalmente o poder e o potencial da proximidade física para libertar a nossa criatividade e o espírito de colaboração. Então, restam-nos os nossos rituais, que podem ajudar a ancorar a nossa identidade durante estes tempos”, reforça.

Rituais que ajudam a recuperar o controlo

Quando pensamos em luto, muitas vezes pensamos na perda de um ente querido. E embora isso seja tragicamente algo que muitas pessoas estão a enfrentar durante a pandemia, muitas estão também simplesmente a lamentar a perda de controlo.

“Ao criar ou realizar rituais, estamos a agir e a controlar o pouco que podemos.”

“Quando respondemos a uma crise, é fácil maximizar as coisas más e minimizar as boas. Pensamentos como‘ tudo é terrível, nada é bom’ são distorções cognitivas”, refere o especialista.

“Recordar é como empunhar um pequeno escudo contra essa forma distorcida de pensar. Relembrar os grandes momentos que vivemos no passado e ancorar essas memórias pode ajudar a evitar distorcer o pensamento apenas por causa dos eventos que aconteceram este ano.”

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