Um em cada cinco portugueses é afetado por anemia em algum momento da sua vida, revelam os dados do Anemia Working Group Portugal (AWGP), que confirma que esta é uma patologia que afeta 50% das grávidas nacionais. E o maior estudo internacional realizado até ao momento sobre o tema confirma que estas grávidas têm o dobro do risco de morrer na gravidez ou na semana seguinte ao parto.

Dados que salientam a necessidade de tornar a prevenção e tratamento deste problema uma prioridade mundial, reforçam os especialistas.

Liderada pela Universidade Queen Mary de Londres, a investigação olhou para o risco de mortalidade materna em mais de 300.000 grávidas e associou-o à anemia grave. E confirmou que este problema, que afeta 32 milhões de grávidas em todo o mundo e que, de acordo com o AWGP, “resulta da diminuição do número de glóbulos vermelhos no sangue, ou do conteúdo de hemoglobina para valores inferiores aos considerados normais para a idade, sexo e etapa de crescimento”, aumenta o risco de morte.

Os resultados, publicados na revista The Lancet Global Health, revelam isso mesmo, apesar deste ser um problema facilmente tratável. Ainda assim, não tem sido possível reduzir o impacto do problema, o que deverá passar por uma resposta multidisciplinar, envolvendo não só os profissionais de saúde, mas também os decisores políticos.

“A anemia na gravidez é um dos problemas médicos mais comuns que afeta as mulheres, independentemente do nível de desenvolvimento dos países. Mostrámos que, se uma mulher tem anemia em algum momento da sua gravidez ou nos sete dias após o parto, tem um risco superior de morte, o que sugere que o tratamento urgente é muito importante”, afirma  os especialistas.

Maioria desconhece que sofre com a doença

Por cá, os dados do estudo EMPIRE, de 2015, mostram que a prevalência desta doença é mesmo mais elevada (20%) do que a estimativa da Organização Mundial de Saúde (15%).

Não só são muitos os portugueses com anemia, como a esmagadora maioria dos afetados (84%) não sabe que sofre com a doença.

As mulheres são as mais afetadas, sobretudo as grávidas, grupo em que a prevalência está acima dos 50%.