Já é certo e sabido que uma dieta pouco saudável está associada ao risco de obesidade. Mas qual o impacto de comer o que não se deve no cérebro? Esta ligação tem sido pouco explorada. Até agora. É que um grupo de cientistas descobriu que as dietas ricas em gordura contribuem para irregularidades na região do hipotálamo, zona do cérebro que regula o metabolismo do peso corporal.

Liderado por Sabrina Diano, professora de Fisiologia Celular e Molecular e professora de Neurociências e Medicina Comparada da Universidade de Yale, o estudo avaliou a forma como as dietas ricas em gorduras e hidratos de carbono estimulam a inflamação do hipotálamo, uma resposta fisiológica à obesidade e desnutrição.

Algo que surge mesmo antes de o corpo começar a apresentar sinais de obesidade. “Ficamos intrigados com o facto de essas mudanças serem muito rápidas, ocorrendo mesmo antes de o peso corporal mudar, e queríamos entender o mecanismo celular subjacente”, explica Diano.

Mecanismos ativados pelas dietas ricas em gorduras

Os investigadores observaram a inflamação em animais com uma dieta super rica em lípidos e descobriram que essas mudanças estavam a ocorrer em determinadas células, as microgliais, que agem como a primeira linha de defesa no sistema nervoso central que regula a inflamação.

Descoberto foi ainda que a ativação destas células era devida a alterações nas mitocôndrias, que ajudam o corpo a extrair energia dos alimentos consumidos. 

Os neurónios no cérebro foram então afetados, devido ao sinal inflamatório recebido na sequência de dieta com muitas gorduras, estimulando os animais a comer mais e ficar obesos. No entanto, quando esse mecanismo foi bloqueado, os animais expostos a uma dieta rica em gorduras comeram menos e foram resistentes ao ganho de peso.

O estudo ilustra não só como as dietas ricas em gordura nos afetam fisicamente, mas também mostra como uma dieta não saudável pode alterar neurologicamente a ingestão de alimentos.

“Existem mecanismos cerebrais específicos que são ativados quando nos expomos a tipos específicos de alimentos. Este é um mecanismo que pode ser importante do ponto de vista evolutivo. No entanto, quando alimentos ricos em gordura e hidratos de carbono se tornam constantemente disponíveis, isso é prejudicial.”