Um estudo com 5,8 milhões de crianças identificou uma incidência maior de AVC quatro décadas depois entre aquelas cujas mães tiveram hipertensão ou pré-eclâmpsia durante a gravidez. A investigação é apresentada numa conferência científica online da Sociedade Europeia de Cardiologia.

“As nossas descobertas indicam que os distúrbios hipertensivos durante a gravidez estão associados a maior risco de AVC e potencialmente doenças cardíacas em filhos de até 41 anos de idade”, refere o autor do estudo, Fen Yang, estudante de doutoramento do Karolinska Institutet, em Estocolmo, Suécia. 

Estudos anteriores sugeriram que as crianças expostas a distúrbios hipertensivos maternos durante a gestação apresentavam, mais tarde, riscos aumentados de parto prematuro, restrição do crescimento fetal e fatores de risco cardiovasculares, incluindo hipertensão, obesidade e diabetes. Mas a evidência de uma associação direta às doenças cardiovasculares graves é limitada. Este estudo explorou essa ligação, com foco na doença isquémica do coração e acidente vascular cerebral.

O trabalho utilizou registos nacionais de dois países, Suécia e Finlândia, tendo acompanhado os participantes até 2014. Foram identificados os distúrbios hipertensivos da gravidez, incluindo pressão alta (começando antes ou durante a gravidez) e pré-eclâmpsia, com os investigadores a estimarem depois o risco de doenças isquémicas do coração e AVC associados a esses distúrbios.

Entre os mais de 5,8 milhões de solteiros que participaram no estudo, 218.322 (3,76%) nasceram de mães com distúrbios hipertensivos durante a gravidez. Ao longo de até 41 anos de acompanhamento, 2.340 (0,04%) destes filhos foram diagnosticados com doença isquémica do coração e 5.360 (0,09%) com acidente vascular cerebral.

Os filhos expostos a distúrbios hipertensivos maternos na gravidez apresentaram um risco aumentado de 29% para doença cardíaca isquémica e 33% para AVC.

“Este foi um dos poucos estudos nesta área e são precisas mais pesquisas”, refere o autor do estudo. “Foi um trabalho observacional e não podemos tirar conclusões sobre causalidade. Mas se as nossas descobertas forem apoiadas por estudos adicionais, podem ser tomadas medidas para prevenir doenças cardiovasculares em filhos expostos a distúrbios hipertensivos da gravidez. Por exemplo, concentrando-se na saúde materna e na triagem de crianças para fatores de risco como hipertensão arterial no início da vida.”