São dois os candidatos, potenciais é certo, agora descobertos para o tratamento da doença de Alzheimer. Trata-se de duas moléculas marinhas, a meridianina e a lignarenona B, capazes de alterar a atividade de uma proteína (a GSK3B), associada a várias doenças neurodegenerativas.


Os investigadores da Universidade de Barcelona usaram várias técnicas biocomputacionais para detetar estes compostos, até agora desconhecidos, que foram posteriormente validados com experiências feitas em culturas de células neuronais em ratinhos de laboratório.

Resultados que permitirão que os cientistas compreendam melhor o funcionamento da molécula GSK3B e construam um ponto de partida promissor para o desenvolvimento de novos medicamentos contra a doença de Alzheimer.

Publicado na revista Biomolecules, o trabalho resulta de uma colaboração entre duas equipas de investigação da Universidade de Barcelona.

Primeiros passos para tratar a doença de Alzheimer

A GSK3B é uma proteína abundante no cérebro, com um papel importante no desenvolvimento da doença de Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas, uma vez que as alterações à sua atividade afetam negativamente os sinais sinápticos básicos de aprendizagem e memória e até os podem interromper.

É por isso que, nos últimos anos, os investigadores fizeram muitos esforços no sentido de criar inibidores da GSK3B, embora sem resultados suficientes até ao momento.

“A GSK3B sempre foi uma molécula apreciada no tratamento para a doença de Alzheimer. No entanto, os ensaios clínicos com todos os seus potenciais inibidores causaram efeitos adversos, que foram uma grande deceção. Ainda estamos longe de qualquer aplicação clínica, mas as moléculas que descrevemos têm o potencial de superar as limitações de outros medicamentos inibidores”, acredita Albert Giralt, um dos envolvidos neste trabalho.

Através de técnicas de biocomputação e simulação de dinâmica molecular, os investigadores analisaram o potencial que um grupo de famílias moleculares marinhas tem de inibir a atividade da GSK3B.

Em seguida, realizaram uma validação experimental in vitro da capacidade inibidora destas moléculas, usando culturas de neurónios de ratos.

Os resultados mostram que ambos os compostos marinhos não causam efeitos neurotóxicos e, além disso, promovem plasticidade neuronal estrutural.

“As novas moléculas não têm uma inibição excessiva da GSK3B, o que é interessante, pois inibi-la excessivamente pode ser a causa de alguns dos efeitos adversos descritos para outros medicamentos inibidores. Além disso, induzem o crescimento da árvore neuronal, um aspeto de grande interesse na doença de Alzheimer”, observa Albert Giralt.

De acordo com os investigadores, esta é uma descoberta relevante, pois não é fácil encontrar novas moléculas que possam ser terapêuticas para a doença de Alzheimer, sobretudo tendo em conta a deceção causada por muitos alvos terapêuticos.

No entanto, Giralt afirma que este é apenas o começo: “Para confirmar o potencial destas novas moléculas, o próximo passo é avaliar se o tratamento com estes medicamentos melhora a sintomatologia em modelos de ratinhos com Alzheimer e, se sim, tentar realizar estudos clínicos com estas moléculas”.