Há um novo estudo que sugere que a perda de peso nos adolescentes que seguem uma dieta está associada a uma conexão mais forte entre as áreas do cérebro, nomeadamente no que respeita à motivação para comer e ao efeito reconfortante que a comida pode ter. Parece que o excesso de peso influencia o funcionamento do cérebro.

Esta foi a conclusão a que um grupo de cientistas do Centro de Investigación Mente, Cerebro y Comportamiento, da Universidade de Granada, em Espanha, chegou, após anos a estudar o papel do excesso de peso no desempenho do cérebro.

“Quando confrontados com uma decisão sobre o melhor a comer e um prato extremamente apetitoso, em termos de resposta cerebral, observamos que os circuitos impulsivos estão mais ativados do que os circuitos reflexivos”, explica Raquel Vilar López, investigadora no Departamento de Personalidade, Avaliação e Tratamento Psicológico da referida instituição e uma das autoras desta pesquisa.

Desta forma, o estudo, publicado no International Journal of Obesity, permite concluir que, quando confrontados com comida, os cérebros das pessoas com obesidade e das pessoas com peso saudável funcionam de modo diferente.

Espessuras Diferentes no Córtex Cerebral de quem tem excesso de peso

Além das diferenças na ativação dos circuitos cerebrais, o grupo de cientistas da Universidade de Granada descobriu também que as diferentes áreas do cérebro, em pessoas com excesso de peso, diferenciam-se em termos de conectividade e na espessura do córtex cerebral.

Assim, estima-se que existe uma ligação entre estas diferenças, o que pode estar relacionada a uma dieta rica em gordura e à dificuldade em seguir uma dieta e em praticar exercício físico e, portanto, à perda de peso.

Com base nestas revelações, os investigadores Raquel Vilar López e Alfonso Caracuel defendem que é necessário combinar abordagens de treino para modificar os aspetos desequilibrados no funcionamento dos circuitos cerebrais envolvidos no sobrepeso ou na obesidade.