Embora os riscos para a saúde associados à diabetes, incluindo enfartes e AVC, sejam bem conhecidos, esses riscos podem estar presentes muito antes do diagnóstico, com a pré-diabetes, revela uma investigação do Instituto George para Saúde Global, na Austrália, publicada no British Medical Journal.


O estudo constatou que a pré-diabetes, definida como níveis de glicose no sangue acima do normal, mas não o suficiente para que uma pessoa seja considerada diabética, está associada a um risco aumentado de doença cardiovascular e morte.

O autor principal do estudo, Yuli Huang, considera que este trabalho mostrou que há uma oportunidade significativa para prevenir as doenças cardiovasculares, identificando e tratando as pessoas mais cedo.

“A prevalência de pré-diabetes e diabetes está a aumentar rapidamente em proporções epidémicas, sobretudo nos países mais ricos. A deteção precoce e o tratamento adequado podem trazer enormes benefícios mas, se deixados sem tratamento, as complicações e os impactos para a saúde ao longo da vida podem ser devastadores”, refere.

Prevalência da pré-diabetes a aumentar no mundo

Os investigadores analisaram 129 estudos, que envolveram mais de 10 milhões de pessoas, a maioria da Europa, Ásia e América do Norte, com pré-diabetes com e sem doença cardiovascular existente.

Analisaram também se a pré-diabetes estava associada a taxas mais altas de morte e doenças cardiovasculares em pessoas com e sem histórico das mesmas e se os critérios usados ​​para definir a pré-diabetes fizeram diferença.

E descobriram que, em comparação com as pessoas que tinham níveis normais de glicose no sangue, aquelas com pré-diabetes, tendo em conta os critérios da American Diabetes Association ou da Organização Mundial de Saúde, estavam em maior risco de doença cardiovascular e tinham maior probabilidade de morrer por qualquer causa. 

Yuli Huang explica que a pré-diabetes gera controvérsia e é um termo que tem sido muito debatido. “Alguns argumentam que descrever as pessoas como pré-diabéticas cria mais problemas do que benefícios em termos de prevenção e tratamento e coloca um fardo insustentável nos sistemas de saúde.”

“Mas, considerando a elevada prevalência da pré-diabetes, bem como o seu forte vínculo aos riscos à saúde observados no nosso estudo, uma intervenção bem-sucedida nessa grande população pode ter um grande impacto na saúde pública.”

A prevalência de pré-diabetes está a aumentar em todo o mundo. Estima-se que mais de 470 milhões de pessoas terão pré-diabetes até 2030 e, de acordo com a Associação Americana de Diabetes, até 70% destas irão desenvolve diabetes.

“O que é especialmente preocupante são os muitos milhões de pessoas que não sabem que têm um problema e não agem cedo o suficiente”, acrescenta Huang.