A realidade prepara-se para imitar a ficção, pelo menos em parte, ao tentar copiar a ideia retratada no filme O Perfume, realizado por Tom Tykwer e baseado num romance de Patrick Süskind, em que o protagonista tudo fez para reproduzir o perfume da beleza numa garrafa, extraindo a fragrância da pele de mulheres bonitas. O caminho da ciência não é esse, mas um grupo de investigadores quer criar um spray em perfume para combater a depressão.

Para isso, uma equipa internacional de investigadores está a investigar os aromas das emoções, como medo e felicidade, e a tentar extraí-las do suor humano.

Enzo Pasquale Scilingo, professor de bioengenharia da Universidade de Pisa, explica que é um trabalho ambicioso, “que diz respeito às emoções humanas e, em particular, se têm um cheiro específico. No mundo animal, existem feromonas, que são mensageiros químicos que permitem que os animais comuniquem, selecionem os seus parceiros sexuais, marquem os seus territórios”.

“Existe um mecanismo semelhante em humanos? Neste caso, o maior desafio é tentar identificar as moléculas responsáveis ​​pelas emoções. Estamos a concentrar-nos no medo e na felicidade, que estão nos dois extremos de uma escala emocional, e é por isso que os escolhemos.”

Spray para as emoções

De acordo com o especialista, “neste estudo são analisadas quimicamente amostras de suor retiradas de axilas com zaragatoas. O objetivo é identificar as moléculas e possivelmente sintetizá-las para ter um dispositivo, um dispensador, um spray, que liberta essas substâncias e pode induzir nas pessoas que sintam esses cheiros as mesmas emoções de medo e felicidade”.

Ou seja, “o objetivo geral é melhorar a interação social entre as pessoas e também usar clinicamente esses odores para tratar algumas doenças mentais, principalmente fobias ou ansiedade social ou depressão”.

A investigação está a ser realizada no âmbito do projeto da União Europeia (EU) chamado Potion, apoiado pelo programa da UE Future and Emerging Technologies (FET).

“Solicitamos o FET porque o Potion é particularmente ambicioso e tem uma vasta gama de parceiros de diferentes origens e de oito países europeus. A base das capacidades abrange psicologia social, inteligência artificial, bioengenharia, psiquiatria e, sobretudo, análises químicas, pois o principal objetivo do projeto é identificar as moléculas químicas libertadas pelo corpo e associadas a emoções específicas.”