A alergia ao amendoim pode vir a ser coisa do passado, graças a uma vacina criada por investigadores da Universidade do Sul da Austrália, que tem esperança de poder vir a curar este problema potencialmente fatal.

As alergias ao amendoim acontecem quando o sistema imunitário identifica, de forma errada, o amendoim como um alérgeno, que sinaliza as células imunitárias para libertar substâncias químicas que resultam em reações adversas capazes de ir desde a urticária, cãibras, náuseas e vómitos a reações anafiláticas com risco de vida que requerem atenção médica imediata.

As reações alérgicas graves podem incluir dificuldades respiratórias, inchaço na garganta, queda súbita da pressão arterial, tonturas e até morte.

Globalmente, a incidência de alergias alimentares e anafilaxia com risco de vida associada está a aumentar, com as autoridades de saúde a dar conta da existência, a nível global, de 220 a 550 milhões de pessoas afetadas.

O amendoim é uma das alergias alimentares mais comuns e o alimento mais provável de causar anafilaxia ou morte.

Os desafios de quem tem alergia ao amendoim

Preethi Eldi, líder do projeto, considera que a nova vacina contra a alergia ao amendoim tem um grande potencial para mudar vidas.

“O impacto que esta alergia pode ter sobre a família é muito grande, sobretudo considerando os riscos reais para a saúde de uma criança”, refere.

“Os pais estão constantemente a proteger os seus filhos de serem expostos a amendoins, que podem estar presentes nos cereais mais populares ou nos lanches na escola, biscoitos, bolos e até alimentos saudáveis,​ seja em casa, na escola ou em situações sociais. E isso significa estar vigilante e impor restrições alimentares muito rigorosas, não apenas para a criança, mas também para os familiares”, acrescenta.

“Se pudermos ter uma vacina eficaz contra a alergia ao amendoim, removeremos esse stress, preocupação e monitorização constante, libertando a criança e a sua família das restrições e perigos da alergia ao amendoim.”

Testes vão continuar

John Hayball, líder do Laboratório de Terapêutica Experimental da referida instituição, explica que a vacina contra a alergia ao amendoim induz o sistema imunitário a ver os alérgenos de amendoim sob uma nova luz, para que o corpo responda normalmente, em vez de gerar uma reação alérgica.

“Estamos efetivamente a reprogramar o corpo para ver o amendoim como uma entidade que pode ser curada através de uma vacina, em vez de um alérgeno que provoca uma reação alérgica”, reforça.

“A vacina já está a dar sinais de sucesso, alterando as respostas imunitárias específicas ao amendoim em modelos de ratos com alergia ao amendoim e, em estudos preliminares preliminares in vitro, em amostras de sangue humano de pessoas alérgicas ao amendoim confirmadas clinicamente”, acrescenta.

Os próximos passos passam, diz o especialista, pela obtenção de mais amostras humanas “e confirmar a eficácia da vacina. Isso demonstrará capacidade de tradução humana e aumentará significativamente as probabilidades de sucesso em futuros ensaios clínicos”.

William Smith, chefe da unidade de Imunologia Clínica e Alergia do Royal Adelaide Hospital e principal clínico envolvido no estudo, considera que, apesar dos esforços globais e de vários outros ensaios clínicos em andamento, o desenvolvimento da terapêutica imunomoduladora está a revelar-se extremamente desafiador.

Mas considera que “os dados preliminares são encorajadores e indiciam que a vacina pode ser capaz de dar resposta a todos os critérios”.