Procurar ajuda médica ajuda a quebrar o ciclo de violência, mas de acordo com um estudo europeu, liderado por investigadores nacionais, as vítimas de violência doméstica tendem a recorrer menos aos serviços de saúde.

Integrado no projeto DOVE – Domestic Violence against Women/Men in Europe: Prevalence, determinants, effects and policies/practices, o estudo, que contou com a participação de especialistas do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, entre os quais Henrique Barros, coordenador do estudo, revela que as vítimas de violência conjugal não só são alvo de sofrimento físico ou emocional, como ainda têm menos ajuda por parte do serviços de saúde, uma vez que os procuram menos.

Uma procura que, conclui ainda o trabalho, que contou com a participação de 3.279 pessoas de seis cidades europeias (Atenas, Budapeste, Estugarda, Londres, Porto e Östersund), com idades entre os 18 e os 64 anos, é cerca de 30% inferior à verificada por outras pessoas que não se encontram na mesma situação.

“Os dados da investigação indicam que quase uma em cada cinco vítimas de algum tipo de violência conjugal (agressões físicas, verbais ou de natureza psicológica) não vê satisfeitas as suas necessidades em saúde”, refere Henrique Barros, citado pelo site de Notícias, da Universidade do Porto.

Mulheres são as maiores vítimas

E são, sem surpresas, as mulheres as maiores vítimas deste tipo de violência, conclui o estudo. De resto, os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), referente a 2017, confirmam que assim é, referindo que, dos casos analisados pela associação, 82,5% eram referentes a mulheres. 

Mulheres que tendem mais a não procurar ajuda e a desvalorizar a gravidade dos sintomas e das consequências. No entanto, para além da violência que resulta diretamente dos abusos, as vítimas de violência doméstica tendem a apresentar mais problemas de saúde. E pelo facto de não procurarem ajuda médica, tendem a ter um pior prognóstico.