
Cerca de 50% das mulheres que sofrem de insuficiência cardíaca recebem tratamento errado, revela um novo estudo, que explica o motivo.
São mais as mulheres do que os homens a morrer de insuficiência cardíaca e isto porque apenas 50% dos casos de insuficiência cardíaca entre mulheres são causados por um enfarte, que pode ser tratado com recurso a métodos modernos.
Para os restantes 50%, a causa costuma estar associada a níveis elevados de pressão arterial que ficam por tratar ao longo do tempo, o que leva ao endurecimento progressivo das artérias, para o qual ainda não existe um tratamento eficaz.
“Os homens e as mulheres têm biologias diferentes e isso tem como resultado diferentes tipos das mesmas doenças cardíacas. Já é hora de reconhecer essas diferenças”, alerta Eva Gerdts, professora do departamento de Ciências Clínicas da Universidade de Bergen.
“As doenças cardíacas continuam entre as causas mais comuns de morte e redução da qualidade de vida das mulheres. Medicamente falando, ainda não sabemos qual é o melhor tratamento para o enfarte ou insuficiência cardíaca em muitas delas. É uma situação inaceitável”, acrescenta.
Risco maior de insuficiência cardíaca
No artigo publicado na revista Nature, a investigadora compara fatores de risco comuns para doenças cardíacas e como elas afetam homens e mulheres de forma diferente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 11% das mulheres e 15% dos homens são obesos (têm um índice de massa corporal acima de 30 kg/m2) em todo o mundo.
“Se observarmos isto a partir de uma perspetiva de vida útil, podemos ver que a obesidade aumenta com a idade e que essa tendência é maior para mulheres do que homens. A obesidade aumenta o risco de ter pressão alta e isso, por sua vez, aumenta o risco de doença cardíaca”, explica.
Segundo Gerdts, a obesidade aumenta também o risco de diabetes do tipo 2 e uma mulher com diabetes tem um risco relativo muito maior de complicações cardíacas e morte do que um homem.
“Sabemos que as mulheres com diabetes tipo 2 são geralmente obesas e parte dessa gordura é armazenada no coração, o que as torna mais vulneráveis a doenças.”
A isto junta-se ainda a questão hormonal. De acordo com Eva Gerdts, quando se trata de problemas cardíacos, muitas das diferenças entre homens e mulheres estão relacionadas com o estrogénio, hormona que impede a formação de tecido conjuntivo no coração, o que dificulta o trabalho de bombear o sangue. Nos homens, os efeitos são opostos.
Após a menopausa, as mulheres perdem esta vantagem e as suas artérias tornam-se mais rígidas e mais vulneráveis a doenças.
“Acreditamos que isso ajuda a explica porque é que a pressão alta parece indicar maior risco de doença cardíaca entre as mulheres.”
A questão do tabaco tem também aqui lugar, uma vez que, nas últimas décadas, mais mulheres começaram a fumar.
“Muitas mulheres começam a fumar para reduzir o apetite e controlar o peso. No entanto, essa não é uma boa escolha do ponto de vista da saúde”, acrescenta.