Das salinas vem o sal, mas de acordo com a descoberta feita por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA), pode vir muito mais. É que a salmoura, ou seja, a água das salinas, apresenta compostos que beneficiam o sistema imunitário e que podem ser usados pela indústria alimentar e farmacêutica.

Os benefícios estendem-se ainda à economia, já que o aproveitamento da salmoura pode dar um importante impulso à sobrevivência das salinas nacionais.

“Para além dos sais, a salmoura é rica noutros compostos, nomeadamente fibras, que têm potencial atividade imunoestimuladora”, refere Cláudia Nunes, investigadora do CICECO-Instituto de Materiais de Aveiro.

“Os compostos com esta propriedade podem ser usados em diferentes produtos alimentares como ingredientes ou como suplementos alimentares, potenciando a nossa resposta imune, podendo também ser utilizados pela indústria farmacêutica”, explica a coordenadora do trabalho que utilizou salmoura da Marinha de Santiago da Fonte da Academia de Aveiro.

Revitalização das salinas

Facilmente extraídos da salmoura, que é a água saturada de sal da qual, por evaporação, surgem os cristais de cloreto de sódio, os compostos podem ser retirados por uma simples filtração e evaporação da água.

Para além dos benefícios para as indústrias alimentares e farmacêuticas e, naturalmente, para os consumidores, a comercialização destes compostos imunoestimuladores, descreve Cláudia Nunes, “poderia ser uma forma de ajudar a reativação da atividade de produção de sal através de um outro produto, a água da salmoura, que podia ser rentabilizado”.

Neste momento, os investigadores estão a preparar a candidatura a um projeto com uma empresa portuguesa produtora de sal para o desenvolvimento de novos produtos com base nestes compostos.