Vinte por cento da produção animal para fins alimentares perde-se devido a doenças, na sua maioria, evitáveis. Com cerca de 50% da população mais pobre do mundo a depender da agricultura e pecuária não só para a alimentação, mas também para a sua sobrevivência financeira, garantir a saúde e o bem-estar dos animais é, sobretudo para estes, fundamental, sendo uma “garantia de qualidade e segurança alimentar e uma forma de combate ao desperdício alimentar”.

Quem o afirma é Jorge Moreira da Silva, presidente da APIFVET, no âmbito do Dia Mundial da Alimentação, que se assinala a 16 de outubro, relembrando, assim, “a importância da prevenção e do tratamento de doenças nos animais para consumo alimentar”.

O presidente da APIFVET esclarece que, “ao reduzir a incidência de doenças nos animais de produção para consumo, que é aliás uma das formas de sustento de muitas famílias nos chamados países subdesenvolvidos, estamos a contribuir para o combate à fome e, por isso, várias entidades mundiais têm aproveitado esta efeméride para alertar para esta realidade e desmistificar a ideia de que o uso de medicamentos veterinários, alimentos complementares e biocidas em animais para consumo é prejudicial para a saúde humana”.

Jorge Moreira da Silva dá como exemplo a utilização de alimentos complementares nos animais, importante na medida em que, “tal como nós humanos, a sua correta utilização em animais é muitas vezes necessária para estimular a imunidade garantindo a sua saúde e bem-estar“.

Embora existam atualmente métodos eficazes de controlo no combate a doenças, a APIFVET revê-se na mensagem que tem sido repercutida mundialmente pela Organização Mundial da Saúde Animal e pelos seus parceiros, como a Organização para a Agricultura e a Alimentação e a Organização Mundial da Saúde, instituições que defendem a importância de se “continuar a investir no desenvolvimento de novas vacinas, medicamentos e testes de diagnóstico, para reduzir as perdas por várias doenças em animais de produção para consumo”.

Até porque, acreditam estas entidades, esta é uma das formas para combater a fome, que afeta cerca de 820 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais 161 milhões crianças com menos de cinco anos.