Um estudo realizado por médicos do Serviço de Pediatria do Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães revela que os pais têm cada vez maior dificuldade em controlar o acesso dos filhos às redes sociais, com a maior parte dos adolescentes a admitir ter mentido sobre a idade para ter acesso a conteúdo limitado.

Realizado por Alícia Rebelo, Sofia Vasconcelos, Liliana Macedo e Miguel Salgado,  médicos do Serviço de Pediatria do Hospital de Guimarães, o trabalho quis caracterizar o uso das redes sociais entre os adolescentes e avaliar o conhecimento dos adolescentes sobre os riscos associados e identificar o tipo de monitorização parental.

Para isso, contaram com 3518 questionários validados de crianças e adolescentes entre os 9 e os 21 anos, alunos escolas da região, que permitiram verificar que 98% dos adolescentes são utilizadores de redes sociais, tendo iniciado a sua utilização entre os 10-12 anos.

Ainda de acordo com o mesmo trabalho, o Youtube, o Instagram e o Facebook são as redes mais usadas, algo que fazem várias vezes por dia, durante uma a duas horas, sobretudo à noite.

Ao todo, 28% têm nas redes sociais a atividade que ocupa a maioria do seu tempo livre, ainda que 97% prefiram estar com os amigos pessoalmente.

No que diz respeito à monitorização parental, 85% dos adolescentes tiveram autorização dos pais para criar conta de acesso e são também 85% que revelam que os pais não sabem a palavra-passe de acesso a essa conta.

Contas feitas, 65% admitem já ter contactado com desconhecidos nas redes sociais, aos quais se juntam 61% que já mentiram sobre a idade para ter acesso a conteúdo limitado.

Cabe aos pediatras alertar os pais sobre as redes sociais

“Enquanto pediatras, cabe-nos não só tratar as doenças dos adolescentes, mas também prevenir e promover o seu bem-estar geral”, revela Alícia Rebelo, uma das médicas responsáveis pelo estudo.

“O acesso às redes sociais é uma realidade. É um acesso fácil, temos a tecnologia desse acesso no bolso, através, por exemplo, do smartphone. Entendemos que as redes sociais não devem ser diabolizadas. Elas têm muitos benefícios e vantagens, como o desenvolvimento de capacidades técnicas ou a interação entre pares. Mas têm também obviamente os seus riscos”, acrescenta.

De acordo com a especialista, o objetivo é “ajudar e educar para uma utilização segura e positiva destas redes sociais. Importa, por exemplo, salientar que os adolescentes utilizam as redes para interação com amigos, para conversar, e que 10% as utilizam para promover capacidades artísticas, como partilhar fotos ou vídeos da sua autoria. A utilização das redes é uma atividade que pode e deve ser aproveitada de forma construtiva e benéfica para o adolescente”.

As conclusões dos médicos apontam para que a tecnologia tem uma presença constante no quotidiano dos adolescentes, que o acesso às redes sociais é uma das atividades mais comuns entre os adolescentes, que o controlo parental é cada vez mais difícil, mas também que o tema das redes sociais é atual e que requer intervenção na comunidade, alertando para os benefícios e riscos da sua utilização.

“O que temos que fazer é alertar os adolescentes, de uma forma aberta e honesta, dos riscos que correm nas redes. Se estiverem cientes disto, irão atuar de forma mais cautelosa, minimizando esses riscos e aproveitando os benefícios que estas redes sociais proporcionam.”