Uma equipa liderada por um investigador da Universidade de Toledo, nos EUA, publicou a primeira evidência empírica de que os animais podem proporcionar benefícios quantificáveis ​​às pessoas com doença mental, como depressão, ansiedade e solidão.

“Esta é a primeira evidência científica publicada e revista por pares de que os animais de apoio emocional podem beneficiar a saúde mental das pessoas”, refere Janet Hoy-Gerlach, professora de serviço social e investigadora principal do projeto. 

Frequentemente mal compreendidos e muitas vezes subestimados, os animais de apoio emocional não são animais de estimação nem animais de serviço altamente treinados. Apesar de não terem treino ou certificação formal, são reconhecidos por um profissional de saúde mental como terapeuticamente necessários para uma pessoa com uma doença mental.

E apesar de existir um corpo considerável de pesquisas sobre os benefícios dos animais de estimação, que reforça a recomendação de animais de suporte emocional na área da saúde, não houve nenhum estudo científico anterior focado especificamente nos benefícios dos animais de suporte emocional.

Neste trabalho, os investigadores acompanharam um pequeno grupo de pessoas, identificadas como em risco de isolamento social e com poucos rendimentos, a quem foi atribuído um cão ou gato que se encontrava no abrigo de associação de apoio aos animais.

Hoy-Gerlach e os colegas testaram regularmente os participantes para alterações em três biomarcadores relacionados com o stress e avaliaram os níveis de depressão, ansiedade e solidão dos participantes antes da adoção e no final do período de estudo (12 meses).

E concluíram que foi encontrada uma diminuição estatisticamente significativa na depressão, ansiedade e solidão nos participantes, medida por escalas padronizadas.

Mais ainda, foi também observado um padrão consistente de maiores quantidades de oxitocina, uma hormona de ligação, e menores de cortisol, hormona do stress após o envolvimento dos participantes em interações focadas com o seu animal por períodos de 10 minutos.

Embora não seja uma descoberta estatisticamente significativa, a análise sugeriu que os participantes podem ter  beneficiado dos seus animais a um nível biológico.

“As descobertas do biomarcador, juntamente com as pesquisas padronizadas de stress, ansiedade e solidão e as entrevistas qualitativas, sugerem perceções sobre como os animais de apoio emocional podem ajudar a reduzir os sintomas e a solidão associados à doença mental crónica”, refere Hoy-Gerlach. “Não podemos fazer generalizações ou grandes afirmações abrangentes, mas as descobertas são bastante diretas para este grupo específico de pessoas.”

Os investigadores observaram ainda um aumento da oxitocina passados 12 meses, o que pode indicar que o vínculo dos participantes com o seu cão ou gato foi fortalecido com o tempo.

“Assistimos a um aumento significativo do isolamento social por causa da COVID-19, sobretudo entre aqueles mais vulneráveis ​​aos seus efeitos. Embora a nossa pesquisa tenha sido iniciada antes da pandemia, as descobertas aplicam-se a ela”, afirma. “Agora, mais do que nunca, precisamos de pensar em como aproveitar todos os recursos à nossa disposição.”

Esses esforços podem beneficiar pessoas e animais com necessidades: ao mesmo tempo que se proporciona às pessoas com doenças mentais animais de apoio emocional, colocam-se animais sem lar em casas que passam a ser suas.

“O vínculo humano-animal é um recurso subutilizado para o bem-estar humano e animal.”