doentes com cancro e os riscos de fumar

O risco de continuar a fumar após o diagnóstico de cancro do pulmão

Por Atualidade

Tendo em conta que o tabaco é um dos principais fatores de risco para o cancro do pulmão, deixar de fumar continua a ser a melhor forma de prevenir a doença e de melhorar o prognóstico de quem já a tem. É que muitos são os doentes com cancro que continuam a fumar após o diagnóstico, com consequências: maior taxa de mortalidade e maior risco de um segundo tumor. 

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a melhor forma de deixar de fumar

Quer deixar de fumar? Arranje um parceiro

Por Bem-estar

Quer deixar de fumar? Então o melhor é arranjar uma companhia. É que, de acordo com um estudo apresentado esta sexta-feira no EuroPrevent 2019, o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, combater este vício funciona melhor a dois.

“Deixar de fumar pode ser um esforço solitário”, disse a autora do estudo, Magda Lampridou, do Imperial College London, no Reino Unido.

“As pessoas sentem-se excluídas quando deixam de ir ao intervalo para fumar no trabalho ou evitam ocasiões sociais. Para além disso, há sintomas de abstinência da nicotina. Os parceiros podem ajudar a esquecer os desejos, passeando, indo ao cinema e incentivando atividades de substituição”, refere a especialista.

“O apoio ativo funciona melhor, em vez de incomodar.”

Uma receita que funciona

A prevenção cardiovascular passa pela cessação tabágica, um dos fatores de risco para estas doenças. E isto porque as pessoas que deixam de fumar normalmente reduzem para metade o risco de doença cardiovascular.

“Intervenções para parar de fumar devem incluir casais sempre que possível, para conseguir um lar livre de fumo”, refere Lampridou.

Este estudo avaliou o papel dos parceiros casados, ​​ou que partilham a mesma casa, na cessação do tabagismo, envolvendo 222 fumadores atuais em risco de doença cardiovascular ou que tenham sido vítimas de um enfarte.

Os parceiros foram também recrutados: 99 eram fumadores atuais (45%), 40 ex-fumadores e 83 nunca fumaram.

Os casais foram questionados sobre o seu estado atual no que diz respeito ao tabaco, histórico de tabagismo e tentativas anteriores para parar de fumar e incluídos num programa de 16 semanas, em que receberam terapia de reposição de nicotina com adesivos e tabaco de mascar.

No final do programa, 64% dos participantes e 75% dos parceiros tinham deixado de fumar e a probabilidade de o fazerem em 16 semanas aumentou (5,83 vezes) nos casais que tentaram parar juntos, comparando com aqueles que o tentaram fazer sozinhos.

“Investigações anteriores revelaram que os ex-fumadores também podem influenciar positivamente as tentativas de cessação da esposa mas, neste estudo, o efeito não foi estatisticamente significativo”, refere a especialista.

“Quanto aos parceiros que não fumam, há um forte risco de que adotem o hábito de seus cônjuges”. 

O tabagismo faz parte da identidade de quem fuma

Estudo descobre motivo da recaída de muitos ex-fumadores

Por Bem-estar

É um vício, mas o tabagismo é mais do que isso: pode mesmo ajudar a definir a identidade de quem fuma, tornando ainda mais difícil deixar os cigarros.

Publicado na revista Journal of Substance Use, um novo estudo descobriu que os ex-fumadores podem não ser capazes de resistir a voltar a acender um cigarro por este ser visto como uma forma de recuperarem a sensação de “quem são”.

Os investigadores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, sugerem que os fumadores que deixaram recentemente o vício têm recaídas porque querem recuperar a identidade social perdida. E que muitos ex-fumadores sentem essa desistência como uma “perda”.

É que, para além de ser fisicamente viciante, fumar tem uma série de fatores sociais, emocionais e comportamentais associados.

“Embora muitas pessoas consigam parar, a recaída é muito comum”, confirma Caitlin Notley, líder da investigação.

“É claro que sabemos que fumar é fisicamente viciante e tem havido investigação sobre o lado psicológico. Mas isso pressupõe que as pessoas são incapazes de resistir a impulsos físicos”, acrescenta, justificando a necessidade de se avaliarem outros fatores sociais.

Ex-fumadores querem recuperar parte da identidade perdida

A equipa de investigação estudou entrevistas de 43 pessoas que deixaram de fumar e recaíram. Os participantes descreveram a sua história com o tabagismo, as tentativas para abandonar o vício e a sua situação atual.

“O que descobrimos é que a recaída está associada a todo um conjunto de gatilhos emocionais. Está muitas vezes associada a pessoas que querem recapturar uma identidade social perdida: a sua identidade de fumador.”

Diz a especialista que “as pessoas querem sentir-se parte de um grupo social e recuperar o sentido de quem são, com o tabagismo a fazer parte da sua identidade desde a adolescência”.

“O ambiente social e as relações pessoais íntimas são as principais influências nas pessoas, geralmente adolescentes, quando começam a fumar. Aprendem, socialmente, a tornarem-se ‘fumadores’ e isso é importante para a identidade das pessoas”, acrescenta.

“Quando tentam deixar de fumar, o que estão realmente a fazer é enterrar parte da sua antiga identidade e reconfigurar uma nova. Isso pode ser difícil. Particularmente quando é algo que foi ‘parte deles’ durante a maior parte da sua vida.”