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Abusa do café? Então tenha cuidado com a sua saúde cardiovascular

Por Investigação & Inovação

Cerca de três mil milhões de chávenas de café são consumidas diariamente em todo o mundo. Por outro lado, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte a nível mundial, vitimando cerca de 17,9 milhões de pessoas por ano. Mas como é que estes dois assuntos podem estar relacionados? Segundo uma nova pesquisa, o consumo excessivo de café pode ser prejudicial para a saúde do coração.

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quanto café posso beber por dia?

Há um limite para as chávenas de café que pode beber por dia

Por Bem-estar

Bica, carioca, cappuccino, pingado, cheio ou curto, cafés há muitos. Assim como há também muitos que se perdem no sabor e aroma encorpado desta bebida, perdendo a conta ao número de chávenas bebidas. Mas ainda que o café possa ser parte integrante da rotina diária, quanto é considerado demais?

Uma investigação feita pela University of South Australia arrisca um número: seis. É este o limite. A partir da 6.ª chávena, o café passa a ser prejudicial à saúde, aumentando o risco de doenças cardiovasculares em até 22%. 

Apostados em saber mais sobre a relação entre o consumo de café a longo prazo e estas doenças, Ang Zhou e Elina Hyppönen, do Centro Australiano de Saúde de Precisão, lançaram mãos à obra. E revelam o ponto em que o excesso de cafeína pode causar pressão arterial elevada, um dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

O que torna esta a primeira vez que um limite máximo é associado a um consumo seguro de café e à saúde cardiovascular.

Três mil milhões de chávenas consumidas em todo o mundo

“O café é o estimulante mais consumido no mundo”, refere Elina Hyppönen. “Ele acorda-nos, aumenta a nossa energia e ajuda a concentração, mas as pessoas perguntam sempre ‘quanta cafeína é demais?'”, acrescenta.

“A maioria das pessoas concorda que, se alguém toma muito café, pode sentir-se nervoso, irritado ou até mesmo ter náuseas, isso porque a cafeína ajuda o corpo a trabalhar mais depressa e com mais força, mas também sugere que se atingiu o limite naquele momento.”

“Também sabemos que o risco de doença cardiovascular aumenta com a pressão alta, uma consequência conhecida do consumo excessivo de cafeína.”

O que significa, refere ainda, que “para manter um coração saudável e uma pressão arterial saudável, as pessoas devem limitar os seus cafés a menos de seis chávenas por dia. Com base nos nossos dados, seis foi o ponto de inflexão em que a cafeína começou a afetar negativamente o risco cardiovascular”.

“Estima-se que três mil milhões de chávenas de café sejam apreciadas todos os dias à volta do mundo”, refere a mesma fonte. “Conhecer os limites do que é bom e o que não é é imperativo. Tal como acontece com muitas coisas, é tudo uma questão de moderação”.

óleo de coco e saúde cardiovascular

Saúde cardiovascular à mesa: mitos, conselhos e sugestões

Por Nutrição & Fitness

A ideia de que somos o que comemos ganha cada vez mais força com dados, como os das European Cardiovascular Disease Statistics de 2017, que elegem os hábitos alimentares desequilibrados como o fator de risco que mais contribuiu para a mortalidade por doenças cardiovasculares. É por isso que a Associação Portuguesa de Nutrição (APN) lança o e-book: Dislipidemias: Caracterização e Tratamento Nutricional, que quer ajudar a mudar este cenário.

Chama-se dislipidemia à presença elevada ou anormal de lípidos no sangue, situação que, em 2016, foi responsável por 20 a 30% do total de mortes na Europa associadas às doenças cardiovasculares. Seja o colesterol elevado, os triglicéridos acima do normal ou uma mistura dos dois, aqui o risco é maior. E os cuidados com o que se põe no prato também devem ser.

Ovo, amigo ou inimigo?

No e-book agora disponibilizado, dão-se conselhos e deitam-se por terra alguns mitos. Como o do ovo. Por muitos transformado em inimigo de uma alimentação equilibrada, acusado de ter um elevado teor de colesterol, o ovo tem sido incompreendido, garante a APN, que esclarece:

“Este é um alimento interessante a nível nutricional, sendo maioritariamente constituído por água e proteína, possuindo quantidades moderadas de gordura.”

É rico em vitamina D, vitamina B12 e riboflavina (vitamina B2), uma boa fonte de vitamina A, vitamina B6, vitamina E, fósforo e ferro, para além de substâncias antioxidantes, “importantes na promoção da saúde cardiovascular”.

O que significa que “consumir até um ovo por dia não parece aumentar o risco de doença cardiovascular, desde que o seu consumo se enquadre num padrão alimentar saudável aliado a um estilo de vida ativo”.

Marisco no menu

Então e o marisco? Há quem garanta que é aqui proibido. No entanto, esclarece a APN, “de um modo geral, o marisco apresenta teores de gordura saturada muito baixos comparativamente com as carnes (inclusive as brancas) e muito semelhantes aos do peixe”.

Sim, é verdade que há alguns tipos de mariscos com concentração mais elevada de colesterol, mas “no que concerne ao consumo de marisco por doentes com dislipidemia, este é nitidamente permitido, sempre com a devida parcimónia e bom senso adjacentes a uma alimentação saudável, variada e equilibrada”.

Óleo de coco vs azeite

Tem vindo a ocupar um lugar cada vez mais importante numa alimentação que se quer saudável. No entanto, o óleo de coco é “uma gordura com um perfil lipídico predominantemente saturado (aproximadamente 82%)”.

Ou seja, tendo em conta que os ácidos gordos saturados estão associados ao aumento do colesterol, “o seu consumo regular é desaconselhado”. Aqui, o azeite, “sempre com a devida moderação”, surge como uma opção mais benéfica.

relação entre produtos lácteos e saúde cardiovascular

Café, álcool ou produtos lácteos: amigos ou inimigos do coração?

Por Nutrição & Fitness

Quais são, afinal, os alimentos que fazem bem à saúde cardiovascular? É que, para cada estudo que elege um novo aliado da saúde do coração, parecem surgir vários que o contradizem. A esta troca investigativa junta-se mais um elemento, da autoria do Colégio Americano de Cardiologia, que pretende trazer uma nova luz sobre o tema.

O objetivo é, lê-se no trabalho, publicado no Journal of the American College of Cardiology, “fornecer aos médicos informações atualizadas para discussão com os doentes no ambiente das consultas”. 

Para isso, os especialistas dividiram vários alimentos e bebidas em três grupos: aqueles para os quais há “evidência de dano”, os que cabem na categoria de “falta de evidência” e finalmente aqueles para os quais existe “evidência de benefício”. 

Produtos lácteos: amigos ou inimigos?

São muitos os estudos que já se debruçaram sobre os produtos lácteos, acusando-os de inimigos da saúde cardiovascular. Outros há que os aconselham, tornando difícil, para quem é leigo na matéria, perceber de que lado se encontram: dos vilões ou dos heróis alimentares.

A análise feita pela Academia Americana de Cardiologia chama a atenção para isso mesmo. E ainda que estes produtos possam ser ricos em gorduras saturadas e sal, é também um facto que são uma fonte de vitaminas e minerais, o que os coloca do lado dos alimentos para os quais há “falta de evidência” sobre os seus benefícios… ou risco.

Falta de evidência associada aos alimentados fermentados e algas

Os alimentos que se seguem são os alimentos fermentados e as algas. E também estes acabam por ser incluídos na categoria dos produtos lácteos, uma vez que não existe evidência “de alta qualidade” dos benefícios do seu consumo para as doenças cardiovasculares.

“Estudos observacionais e ensaios clínicos sugerem que, tanto os probióticos naturais, como as algas apresentam benefícios potenciais para as doenças cardiovasculares, dislipidemia e peso. No entanto, não há evidências suficientes para, atualmente, os recomendar rotineiramente, embora também não haja evidências de danos causados por eles.”

Cuidado com os açúcares

Na lista dos produtos para os quais esta organização norte-americana considera existirem evidências de danos estão os açúcares adicionados. 

Aqui, pede-se aos médicos o cuidado de recomendarem aos seus doentes uma leitura atenta dos rótulos dos alimentos e a escolha de alimentos pobres em açúcares, para melhor protegerem a sua saúde.

Desta lista fazem ainda parte as bebidas energéticas. “Devem ser evitadas”, referem os especialistas, “até que investigações mais definitivas possam ser realizadas”. É que, por enquanto, “parece haver alguma evidência de dano”.

Os amigos da saúde cardiovascular

A última categoria é a dos alimentos para os quais existe evidência de benefícios, o que significa que os podemos consumir regularmente, sem receios.

São eles as leguminosas, uma fonte de proteína e fibra, cujo consumo está associado a uma redução na incidência de doenças coronárias, melhores níveis de colesterol e de pressão arterial, assim como de peso corporal.

Ou seja, “as leguminosas devem fazer parte de qualquer dieta que vise promover a saúde cardiometabólica”.

Segue-se o café, “geralmente associado a menor risco de mortalidade por todas as causas e mortalidade por doenças cardiovasculares”, o chá, também associado a benefícios semelhantes e as bebidas alcoólicas. Neste caso, “a investigação revelou alguns benefícios do álcool”, apesar de não existirem “evidências de alta qualidade suficientes para recomendar bebidas alcoólicas específicas para a redução do risco cardiovascular”.

Os especialistas salientam que “não é recomendado que os indivíduos comecem a ingerir álcool para benefícios cardiovasculares”, devendo ser, para aqueles que bebem, aconselhada a limitação da sua ingestão.

Os cogumelos, que “podem estar associados à melhora das vias inflamatórias”, os alimentos ricos em ómega 3, que melhoram os perfis lipídicos e a vitamina B12, são também benéficos.