Tendo em conta que o tabaco é um dos principais fatores de risco para o cancro do pulmão, deixar de fumar continua a ser a melhor forma de prevenir a doença e de melhorar o prognóstico de quem já a tem. É que muitos são os doentes com cancro que continuam a fumar após o diagnóstico, com consequências: maior taxa de mortalidade e maior risco de um segundo tumor. 

Tendo em conta esta realidade, a Associação Internacional para o Estudo do Cancro do Pulmão (IASLC) decidiu chamar a atenção, no decorrer da sua reunião anual, que decorre em Barcelona, para a importância de deixar de fumar após o diagnóstico de cancro, apelando aos médicos para rastrearem os doentes com cancro quanto ao uso de tabaco, recomendando a sua cessação.

“Durante muito tempo, este tem sido um problema negligenciado na educação dos profissionais de saúde. Muitos médicos ainda acreditam que, no momento do diagnóstico de cancro, já é tarde demais para oferecer apoio à cessação tabágica. Da mesma forma, a maioria dos doentes acredita que não há nada a ganhar com o abandono”, refere Jassem Jacek, especialista da Universidade Médica de Gdansk, na Polónia.

No entanto, os efeitos clínicos do tabagismo após o diagnóstico fazem-se sentir no aumento dos custos do tratamento do cancro, refere a Declaração do Comité de Controlo do Tabaco e Cessação Tabágica da IASLC, que faz várias recomendações.

Ajudar os doentes a deixar de fumar

De acordo com o documento, todos os doentes com cancro devem ser rastreados quanto ao uso de tabaco e orientados sobre os benefícios da cessação.

Nos doentes que continuarem a fumar após o diagnóstico, a cessação do tabaco deve ser rotineiramente e integralmente incorporada nos cuidados multidisciplinares proporcionados aos doentes e às suas famílias.

Os programas educacionais sobre a gestão do cancro devem incluir treino para cessação tabágica, comunicação empática à volta da história do uso do tabaco e utilização de recursos existentes para a cessação.

O aconselhamento e o tratamento para parar de fumar devem ser um serviço reembolsável e o estado do fumador deve ser avaliado logo desde início.

“Esta questão pode ser superada com a consciencialização da comunidade de saúde sobre a importância da cessação após o diagnóstico do cancro”, afirma Emily Stone, especialista do Kinghorn Cancer Center, na Austrália. “Esperamos que a nossa iniciativa contribua para mudar essa atitude.”